Mercado de Alimentos: Elevando Seu Empreendimento a Outro Nível

MERCADO DE ALIMENTOS: ELEVANDO SEU EMPREENDIMENTO A OUTRO NÍVEL

Você quer iniciar um empreendimento alimentício mas não conhece muito bem as legislações? Procura vender um produto mas ele estraga rápido nas prateleiras? Quer iniciar uma produção grande mas não conhece os melhores processos?

 

Nos últimos textos abordamos desde como iniciar um negócio alimentício, passando pelas dificuldades que podem surgir nele, até as maiores tendências para o mercado de alimentos em 2018. Agora, vamos falar sobre algumas soluções que podem facilitar o dia-a-dia num empreendimento e dar aquela ajudinha no seu marketing de vendas.

Para falar sobre essas soluções, porém, é importante que se conheça uma pequena parte das legislações alimentícias e ambientais. Por isso, no próximo tópico vamos abordar brevemente algumas das principais normas e resoluções que são relacionadas com as nossas dicas. Assim, pode-se saber bem onde essas soluções podem ajudar no seu empreendimento e porque.

ANVISA

A ANVISA, Agência Nacional de Regulação Sanitária, é o principal órgão de regulação de alimentos. Ela atua nas regularizações, nas regulamentações, nos registros de empresas e na fiscalização e monitoramento de produções e vendas.

Suas normas são o que determinam se um produto pode ou não ser comercializado, como ele deve ser embalado e como pode ser produzido. Alguns exemplos dessas normas:

      • A maioria dos alimentos, por exemplo, como você já viu, precisa conter em sua embalagem seus valores nutricionais, prazo de validade e data de fabricação. Isso é chamado de Rotulagem Nutricional, e é muito importante que você sempre confira se o que você vai comer possui esse rótulo.

 

      • Para grandes produções, como restaurantes e fábricas de alimentos, a ANVISA exige o chamado Manual de Boas Práticas de Fabricação. Agora há também o chamado Guia de Boas Práticas Nutricionais para restaurantes.

Seguindo essas normas, vamos agora apresentar as soluções que deixam seu negócio de acordo com a ANVISA e otimizam sua produção.

 

ROTULAGEM NUTRICIONAL

Como dito no último tópico, a rotulagem nutricional é exigida pela ANVISA como obrigatória para todos os alimentos embalados, com exceção de: bebidas alcoólicas, especiarias (como, por exemplo, orégano), águas minerais naturais e as demais águas embaladas para consumo humano, vinagres, sal, café, erva mate, chá e outras ervas sem adição de outros ingredientes (como leite ou açúcar).

Alimentos preparados e embalados em restaurantes e estabelecimentos comerciais, prontos para o consumo e os produtos fracionados nos pontos de venda (como supermercados, mercearias) comercializados como pré-medidos, como queijos, salame, presunto. Frutas, vegetais e carnes in natura, refrigerados e congelados, também não requerem rótulo.

Segundo essa cartilha da ANVISA, existem, no próprio rótulo, coisas que são proibidas, como palavras ou ilustrações falsas ou que possam induzir o consumidor ao erro, demonstrar propriedades do alimento que são falsas (como dizer que uma barrinha de cereal previne doenças cardíacas), indicar que o alimento possui propriedades medicinais não comprovadas.

Além de informar aos consumidores sobre as qualidades do seu alimento e manter o seu produto dentro das normas, o rótulo nutricional tem como vantagem atrair o consumidor a comprar seu alimento: segundo a ANVISA, mais de 70% dos consumidores checam as tabelas nutricionais antes de obter um produto.

Se você quer saber mais profundamente sobre o uso das tabelas nutricionais, o que elas devem conter e como obter uma para seus produtos, acesse nosso texto aqui e ele lhe dará todas as informações necessárias.

Para conhecer melhor como funciona a logística de regulamentação dos produtos, devemos entender outras etapas anteriores que participam do processo até a chegada dos alimentos nas prateleiras.

 

FORMULAÇÃO DE PRODUTOS

inovação é um diferencial em qualquer ramo do comércio. Porém, quando se trata de alimentos, todo cuidado é pouco para começar a comercialização de um novo produto. Primeiramente, deve-se pensar como atingir seu público. Saber quais os gostos do seu cliente e o que mais chamaria sua atenção é essencial para que conseguia sucesso na hora de inovar.

Com a ideia em mente, inicia-se de fato a formulação do produto. Não pense que tudo dará certo na primeira vez. Os testes são constantes até conseguir chegar no resultado esperado e esse é o momento de fazer os ajustes necessários. Não se esqueça de documentar o que foi feito em cada teste.

Com o protótipo final, chegou a hora de produzir. É importante que não se aplique diretamente em escala industrial antes de testar em escalas menores. Muitas vezes deve-se pensar ainda sobre o melhor processo a ser utilizado para depois ampliar a produção.

É esse o momento em que a fabricação deve ser analisada.

 

MANUAL DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO

Além da rotulagem, uma boa dica para seu estabelecimento e seu marketing é a obtenção de um Manual de Boas Práticas de Fabricação.

padronização da cadeia de produção do alimento é a melhor forma para garantir que o produto final esteja sempre nas condições desejada. Para oferecer essa padronização, o BPF age de forma a listar uma série de requisitos de fabricação, desde a produção até a estocagem.

O manual irá conter todas as medidas necessárias para garantir que o alimento esteja dentro das normas da ANVISA, trazendo segurança à saúde do consumidor uma vez que são evitadas contaminações e erros no processo. O resultado é a confiança e o controle do que está sendo comercializado e oferecido ao cliente.

Para conhecer melhor como funciona essa ferramenta, leia aqui nosso texto que abordou o BPF como tema principal.

SHELF LIFE

Uma das mais inovadoras soluções que vamos apresentar aqui é o Shelf Life, que é basicamente dizer em até quanto tempo seu produto consegue manter as características originais dele (o que é nada mais que o prazo de validade).

A ideia se divide em duas: ou você utiliza esse método para determinar até quando seu produto dura (seu prazo de validade), ou utiliza-o para aumentar o prazo de validade dele.

 

E como isso funciona?

Dentre os vários métodos possíveis, vamos abordar dois principais. Se o empreendedor deseja definir o prazo de validade do seu produto, então usa-se um acompanhamento de análises microbiológicas: você analisa o crescimento de microorganismos no seu alimento durante o tempo, dentro de um laboratório.

Assim, usa-se as legislações que determinam a quantidade de microorganismos que é permitida por quantidade de produto, sendo que quando essa quantidade atinge seu valor máximo, o produto é dado como vencido. Logo, determina-se o tempo que o produto demorou a “estragar”.

Para aumentar a validade do seu produto, o método consiste em usar uma amostra do produto com e uma sem algum método de conservação. Eles vão desde conservantes químicos até a mudança da embalagem do alimento, para uma a vácuo, por exemplo. Assim, usa-se as mesmas análises microbiológicas para comparar as duas amostras, e comprovar se foi possível aumentar seu prazo de validade.

Existem também outros métodos laboratoriais que podem ser usados para esses mesmos objetivos.

As vantagens do uso do Shelf Life são inúmeras. Ao aumentar a validade do seu produto, você consegue produzir melhor, com menos recursos, e também perde menos mercadorias, que demoram mais a estragar nas prateleiras.

 

LEGISLAÇÕES AMBIENTAIS E O PGRS

gora que já falamos das nossas soluções alimentícias, vamos falar um pouco das ambientais. Em nossos textos anteriores já falamos bastante em como a mentalidade do consumidor está mudando, como a sustentabilidade é importante hoje em dia, e como o uso da preocupação com o meio ambiente pode alavancar suas vendas.

Então, hoje vamos apresentar uma maneira de fazer isso: a documentação de um PGRS. O PGRS é um documento que mapeia seu estabelecimento, sua produção de resíduos, onde você os acondiciona e como deve destiná-los.

O CONAMA exige um PGRS para médios e grandes estabelecimentos, mas ele é sempre bem visto pelos seus consumidores. Ter um PGRS significa que você não apenas se preocupa com o meio ambiente, mas que seu estabelecimento é um local adequado e limpo.

Clicando aqui você pode entender mais profundamente sobre o PGRS, como ele impacta no seu marketing e vendas e como obter um para seu negócio.

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Cada vez mais pessoas tem pensado em maneiras alternativas de aumentar a renda mensal e a grande aposta costuma ser no ramo alimentício. Às vezes começa como uma ideia mais profissional e às vezes algo que era uma atividade extra passa a ser a principal fonte de renda. Mas nenhum dos casos está isento de obstáculos.

Passando por Dificuldades?

O momento de dificuldade vem para todos. Pode ser a queda nas vendas por causa da crise, ou a problemática de um novo concorrente na área, dentre vários outros. Mas com criatividade, persistência e inovação esses obstáculos podem ser ultrapassados e você conseguirá elevar seu empreendimento à um novo nível de maturidade a cada passo dado!

Acompanhar as tendências do mercado pode ser essencial para o seu sucesso. Agora que você já aprendeu como montar a base do seu negócio no nosso último texto, agora é hora de escolher o produto certo para vender e como você pode vendê-lo. 

Os empreendimentos também mudaram. Agora, a sustentabilidade é essencial em um bom estabelecimento. As legislações pedem documentos que mostrem que os restaurantes acondicionam e destinam seus resíduos corretamente, e que tentem diminuir seu desperdício ao máximo. Saiba mais aqui sobre o PGRS, um dos documentos que podem ser solicitados.

Pensando nisso, trazemos para vocês a primeira tendência de 2018: o “Perda Zero”.

Sustentabilidade e Economia

Segundo a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, uma das tendências no ramo alimentício em 2017 foi o uso de alimentos pouco valorizados e de sobras como ingredientes. O chamado “Perda Zero” é um movimento que teve grandes chefs como defensores e busca diminuir o desperdício em cozinhas de restaurantes.

Algo que ilustra essa moda é o programa Masterchef Brasil: em todas as temporadas houveram episódios com provas que consistiam em fazer os participantes trabalhar com ingredientes pouco valorizados, como carnes não nobres, ou partes de verduras e legumes que sempre são descartadas.

Outro exemplo é o restaurante do brasileiro David Hertz: ele utilizou as sobras dos ingredientes utilizados na cozinha da Vila Olímpica na época das Olimpíadas, montando pratos de qualidade sem desperdício.

Além de se preocupar com a sustentabilidade, restaurantes e empreendimentos se preocupam com o uso de ingredientes de qualidadealimentos orgânicossem agrotóxicos, vindos de fazendas familiares, ganham espaço no mercado.

 

Agroecologia e Consciência Ambiental ​

Os consumidores se preocupam mais com sua saúde e com o meio ambiente. Por isso, é tendência agora alimentos produzidos com ingredientes orgânicos, vindos de fazendas ecológicas com pouco impacto ambiental.

A agroecologia é uma linha de pensamento que tem como objetivo produzir alimentos de maneira sustentável. É um conceito complexo, por isso vamos focar na produção nesse texto: a ideia é praticar a agricultura aproveitando das próprias interações da natureza em favor da produção, sem uso de agrotóxicos e apenas fertilizantes naturais.

Vindo dessa consciência ambiental, acontece mais um fenômeno no mercado alimentício: o vegetarianismo e o veganismo. As pessoas se preocupam mais com a origem dos alimentos, e acham cruel a produção de carnes e exploração dos animais. Por isso, estabelecimentos como o HareBurger, uma espécie de “fast food” vegano, viram sucesso, por mostrar uma alternativa na alimentação.

Além disso, por se preocuparem mais com a saúde, alguns consumidores buscam alimentos práticos e saudáveis que facilitam dietas: quentinhas low carb, biscoitos de inhame, barrinhas de cereais sem conservantes.

Tudo isso vira sucesso, principalmente no meio “fitness” (não é a toa que surgem tantas blogueiras mostrando sua vida de exercícios físicos e dietas – marketing é a alma do negócio).

 

Os Alimentos Artesanais ​

Cervejas artesanais, chocolates artesanais, sorvetes, cafés e sucos: tudo isso vira tendência num mundo onde o cuidado na produção e ingredientes de qualidade são mais valorizados que nunca. A criatividade toma conta e a inovação é o que determina se o produto vai fazer sucesso.

A produção artesanal consiste na escolha cuidadosa dos ingredientes, na pouca ou nenhuma presença de conservantes e na presença do produtor em todas as etapas do processo: desde a escolha da matéria prima até a que o produto seja embalado.

Vamos dar um exemplo:

​O ramo dos chocolates artesanais virou moda: segundo a revista SuperInteressante, o bean-to-bar, produção de chocolate que vai desde a torra do cacau até a moldagem da barra de chocolate, começou há alguns anos aqui no Brasil. Agora, já tem empresas especializadas nisso. O chocolate artesanal é vantagem porque o produtor paga mais caro pelo cacau, e o seleciona melhor.

Para manter a qualidade do cacau, o produtor não vai usar gordura barata para fazer o chocolate. Ele vai usar manteiga de cacau. Por isso, chocolate bean-to-bar é puro e de melhor qualidade.

Outra ideia que o chocolate artesanal traz é a da valorização do grão produzido no próprio país: como o cacau é um fruto tropical, não é necessário importá-lo para produzir o chocolate aqui. Por isso o grão é mais fresco, e o chocolate mais puro, que traz nele um sabor tropical e diferenciado.

A produção artesanal, seja do que for, valoriza também a sustentabilidade. Não se produz em grande escala, o que reduz o desperdício e a exploração do meio ambiente. Apesar dos produtos saírem mais caros, eles também saem mais gostosos e com melhor qualidade.

Agora que tratamos de algumas das tendências de consumo do mercado para te ajudar a achar o produto ideal, vamos falar abaixo sobre como vender esse produto.

 

Inovações para Levar Seu Empreendimento à um Novo Nível ​

Apesar da crise, o setor alimentício parece nunca parar. Uma dica para não ficar para trás com seu empreendimento é apostar no ambiente físico que você apresenta e as sensações que leva para os seus consumidores.

Aposte na Imagem

Tenha um ambiente agradável e especial

Invista em decorações e peças interativas para atrair seus clientes e transformá-los em canais de propaganda. Nada melhor do que um consumidor elogiando e comentando com seu círculo de convivência sobre como confortável, ou bonito, ou interessante é o seu empreendimento.

 

Trabalhe com alguma temática específica

É importante, até para o seu marketing, você possuir um foco. Ao idealizar um empreendimento, tenha em mente o que ele será. Ao colocar em prática esta ideia, lembre-se de apostar no espaço para que ele conte a mesma história que o seu cardápio.

 

Tem crescido o número de restaurantes e bares temáticos, como por exemplo ludotecas (Bar e ludoteca, hamburgueria e ludoteca, cafeteria e ludoteca).

 

Trabalhe com alguma temática específica

Treine sua equipe para que os clientes saiam satisfeitos e contentes pela maneira como foram atendidos. Um bom atendimento é crucial para a fidelização dos seus clientes.

 

Crie emoções

Esteja disposto a entregar aos consumidores emoções, faça o seu empreendimento não pensando em apenas receber retorno financeiro, faça-o pensando em agradar e entreter as pessoas. Essa é a chave para cativá-los.

 

Invista no Marketing Digital

Esteja presente nas mídias sociais

Seus consumidores vão estar sempre de olho nas novidades: no que você posta. Invista em divulgação! Faça um estudo sobre as possibilidades e, se for viável, divulgue promoções e atrativos.

 

Invista em um site

No site você pode divulgar seus produtos, preços, cardápio e novidades Ele permite que você tenha uma linha de comunicação online aberta e acessível para os clientes.

 

Foque no Seu Diferencial

Invista no Marketing Verde ​

Analisar o mercado é essencial e um exemplo de como ser inovador e se adaptar à nova mentalidade pode ser o trabalho na sustentabilidade. Você pode saber mais sobre isso clicando aqui.​

Além de permitir que você fique dentro das fiscalizações ambientais, seguir as normas de sustentabilidade e mostrar que você evita o desperdício é um diferencial e chama atenção do público.

Mostre porque o seu produto é o melhor ​

Seja transparente: mostre que seus ingredientes são de qualidade, que você se preocupa com todas as etapas da produção e que segue as normas da ANVISA.

Fale de onde você consegue seus ingredientes, sempre rotule alimentos embalados e possua um Manual de Boas Práticas de Fabricação. Use isso ao seu favor.

 

Se Atualize ​

O mundo está em constante mudança. O que é tendência hoje, amanhã pode não ser mais. Por isso, é muito importante ficar atualizado e saber mais sobre a mentalidade dos seus consumidores. Também é importante ficar atento às novas tecnologias e às opiniões sobre seu estabelecimento.

Saiba sempre sobre as normas e esteja sempre um passo a frente. Possuir um estabelecimento sustentável e higiênico não é apenas tendência: agora é requisito obrigatório. Saiba que seus consumidores merecem o melhor, e seu sucesso pode se manter por muito tempo!

Fique ligado nos nossos próximos textos! Estamos preparando materiais inéditos neste mês de Alimentos!

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Você possui um negócio alimentício recente? Pretende embarcar nessa jornada? Está passando por dificuldades para manter o seu negócio? Em qualquer uma dessas situações, é preciso entender o quão desafiadora essa trajetória será! É necessário ter persistência, cuidado aos detalhes e a capacidade de se reinventar para alcançar sucesso! Vamos entender agora como funciona todo esse processo no setor de alimentos.

A base de todo negócio é o planejamento. Se você pretende começar a investir em um empreendimento, vá devagar, conte com estudos sobre a área de atuação e também com testes.

Como decidir o foco do negócio?

De fato, ter um foco é super importante para atrair clientes. Não é preciso, por exemplo, vender apenas comida japonesa, mas ter em mente que seu negócio tem como foco esse tipo de alimento faz com que o público o diferencie dos concorrentes. Eu posso, sim, fazer comida japonesa e possuir opções da culinária de outras regiões. Porém, o diferencial e prato principal será a própria comida japonesa.

Afinal, é muito importante estar ligado com o mercado da área. Seguindo a lógica anterior, todos nós sabemos que o aumento de consumidores de comida japonesa é crescente. Em um primeiro momento, iniciar um negócio nessa área é o ideal. Mas e se a região possuir muitos restaurantes japoneses? Não podemos esquecer de analisar o mercado local e os próprios futuros concorrentes.

 

E se você, mesmo que ainda não saiba, não tem aptidão com esse estilo?

Antes de decidir abrir um estabelecimento e investir grande quantidade de dinheiro, é uma ótima ideia começar com um modelo de negócio menor, que não inclui os aspectos técnicos e grande envolvimento com legislação, locação de um estabelecimento e manutenção de muitos funcionários e grandes contas.

É possível começar com produção e venda em pequena escala, com produção caseira e venda local. Dessa forma, pode-se analisar a viabilidade do seu negócio e adquirir alguma experiência em gestão para minimizar os riscos.

Você também descobrirá se possui afinidade com a área. Esse pequeno investimento trará um maior conhecimento e mostrará o quão essencial é colocar a mão na massa. O dono do negócio tem que estar por dentro de todas as etapas que envolvem seu produto. Assim, é possível saber o que melhorar, como dimensionar a quantidade de insumos e controlar as despesas, por exemplo.

Além disso, saiba separar as finanças pessoais das finanças da empresa. Você pode estipular um salário para você, por exemplo, ou ainda trabalhar com porcentagem, mas tudo deve ser proporcional ao desenvolvimento da empresa.

Para dar o próximo passo, é necessário conhecer todos os procedimentos legais e jurídicos que você vai precisar, como legislação trabalhista, tributária, licenças e autorizações, como do corpo de bombeiros e vigilância sanitária.

De acordo com os consultores da área alimentícia da P&Q Engenharia Jr., a burocracia envolvida com a abertura de uma empresa é o que mais perturba e toma tempo dos novos empreendedores, então, organize-se e faça suas pesquisas para ter tudo sobre controle desde já!

Juntamente a esses procedimentos, é importante pensar no local, na visibilidade, no marketing, nos funcionários e no mercado. Não se esqueça da previsão financeira, cálculos dos gastos e previsão de faturamento para fugir de grandes prejuízos. Segundo dados da SEBRAE, os dois primeiros anos é o período de maior mortalidade das micro e pequenas empresas. Tenha capital de giro suficiente para garantir a saúde de seu negócio.

Conhecimento e experiência em gestão são certamente essenciais. Entretanto, de acordo com o que a especialista em marketing e atuante da área de negócios Filomena Garcia diz em uma coluna na sessão de economia do site UOL, ter dedicação, organização e atenção aos detalhes e outras características comportamentais “falarão tão ou mais alto que as características técnicas do negócio”.

 

Agora, não se esqueça do quanto é imprescindível mostrar valor aos clientes! Por que seu produto é o melhor? Por que ele deve ser escolhido ao invés de outro? Ele não precisa ser exclusivo, você pode inovar na qualidade, no marketing, no bom atendimento por parte dos seus funcionários, pelo ambiente agradável… Tudo deve ser estratégico e feito da forma mais atenciosa possível.

Pensar nas tendências de mercado é crucial para estar à frente dos concorrentes. O contexto atual deve ser analisado com atenção para iniciar um negócio e também para mantê-lo em funcionamento. A sustentabilidade é um tema comum não apenas entre ambientalistas, mas também está diretamente relacionado com o setor de alimentos.

Sustentabilidade: uma tendência do mercado alimentício

A preocupação com o futuro do setor de alimentação fez com que eventos fossem produzidos para tomar uma providência a fim de fazer com que a indústria de alimentos gerasse menos danos.

Em maio de 2017, a Hello Tomorrow, organização sem fins lucrativos, foi quem produziu um desses eventos. No evento, além das discussões a respeito da indústria de alimentos, foi feita uma competição com as melhores ideias de empreendimento sustentável.

O ganhador da competição foi a CBA Sementes, a qual conseguiu um novo jeito de produzir semente de batatas por uma técnica chamada de aeroponia. A técnica reduz o consumo de água em 98% e não precisa de terra na produção.

Esse caso é apenas um exemplo para ilustrar o que pode ser feito tanto em um negócio a ser iniciado, quanto um já existente. Pensar em inovação e nas tendências de mercado é muito importante.

Inovar em produtos sustentáveis é uma ótima opção atualmente. Se antes as pessoas apenas consumiam o que está dentro das embalagens, não é o que acontece hoje. A composição, o modo de fazer e a origem dos alimentos estão chamando a atenção dos consumidores.

Além da preocupação com o planeta, a procura por alimentos saudáveis é crescente no Brasil (média de 12,3% ao ano) por causa da saúde dos consumidores. Com a mudança de mentalidade da população, os alimentos orgânicos, naturais e sem aditivos químicos vem chamando a atenção dos empreendedores também.

Como já citamos, não se esqueça da necessidade da persistência e resiliência. A ansiedade é um fator constante que vai te perseguir, mas não exija resultados extraordinários antes da hora. Todo negócio possui suas etapas de estruturação e amadurecimento. Grandes empresas levam tempo para ganhar reconhecimento.

Agora que foi possível entender como funciona o processo de estruturação de um negócio no setor alimentício, ficou mais fácil colocar em prática. O diagrama abaixo ilustra pontos importantes resumidos que foram contextualizados.

 

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O Que a Indústria Petrolífera Guarda Para O Seu Futuro

O QUE A INDÚSTRIA PETROLÍFERA GUARDA PARA O SEU FUTURO

Prever o futuro do petróleo, um comódite de suma importância entre transações internacionais, não é uma tarefa simples. A dificuldade se dá pelas diversas variáveis que esse mercado está condicionado, além das dimensões colossais que tais variáveis são capazes de atingir.

 

Resumindo, o futuro do petróleo depende de um vasto estudo sobre a geopolítica mundial, interpretando relações entre países – produtores, exportadores e importadores de petróleo – como também a progressão dessas relações ao longo do tempo.​

Além disso, é importante um estudo e uma interpretação perspicaz da economia mundial, entendendo a demanda das potências globais por energia fóssil e a vazão da produção de petróleo mundial (Lei da oferta e da procura).

 

A Oscilação do Preço do Barril de Petróleo​

Entre 2014 e 2015, a indústria petrolífera sofreu uma redução abrupta no preço do barril de petróleo. De 112 dólares em junho de 2014, o mundo vivenciou uma queda inimaginável para 47 dólares em agosto de 2015, preço que se manteve razoavelmente estável e sem precedentes de grande melhora até o final de 2016. Vale frisar que nesse meio tempo, o preço do barril chegou a custar 31 dólares em janeiro de 2016, valor pífio que já não era atingido desde 2004.

 

Qual o Verdadeiro Motivo para essa Variação?​

A pergunta que paira no ar não poderia ser outra se não “O que causou essa discrepância de preços?”. Existem aqueles que arriscam dizer que a queda do preço do petróleo já é uma consequência visível e inevitável da substituição da energia fóssil pela energia verde, sustentável. Pesquisas especializadas nesse âmbito mostram que tal justificativa não condiz com a realidade do mundo atual.​

É imprescindível dizer que as invenções de tecnológicos, cada vez mais independentes do uso de petróleo e derivados, estão em alta e que estão ganhando espaço no mercado mundial. É possível garantir, ainda, que as fontes energéticas alternativas irão se desenvolver muito mais em paralelo com a energia fóssil, nos próximos anos.​

Assegura-se, no entanto, que as energias sustentáveis não irão sobrepor a produção e o consumo de energia fóssil, em curto prazo, e estima-se que o petróleo irá permanecer com parcela de 35% de representatividade no cenário de energia primária mundial, nos próximos 50 anos.

 

Estima-se, exemplificando as afirmações acima, que no ano de 2016 foram vendidos cerca de 750 mil carros movidos a eletricidade, compondo uma frota de 2 milhões de carros do mesmo tipo no planeta. Pode-se apontar, no entanto, que a frota mundial gira em torno de 1 bilhão de veículos.​

Tais números podem garantir que a frota de carros elétricos, ainda que esteja crescendo, é considerada mínima comparada à frota de carros movidos a gasolina e derivados. Resumindo, no transporte, mais de 95% da geração de energia para automóveis é proveniente do petróleo e derivados atualmente.

 

A Interferência da Geopolítica e da Economia Mundial na Indústria Petrolífera​

Para embasar as previsões realizadas para o futuro do petróleo, é necessário o entendimento de marcadores importantes na indústria petrolífera nos últimos anos.

​Começamos nossa pequena retrospectiva em 2007-2008, época de grandes problemáticas para a economia mundial. Dentre tantas adversidades financeiras, o Estados Unidos começou um forte investimento em tecnologias de fraturamento de rochas para recuperação de hidrocarbonetos, a fim de alavancar e dinamizar a produção de petróleo em território americano.​

Tal produção, ministrada por empresas de pequeno e médio porte, tornou-se abundante e mais rápida, ao ponto de promover os EUA de uma situação de importador de 66% de petróleo utilizado, para um cenário otimista de importação de 30 % de petróleo utilizado.​

Percebe-se uma mudança do papel do Estados Unidos no cenário petrolífero mundial, em um curto período de tempo. Além de otimizar o comércio de petróleo em terras americanas, o país mudou sua estratégia de importação de gás natural, passando a ser um exportador desse comódite.

 

Plataforma P-51, Brasil

Com todo o cenário de evolução estratégica por parte do Estados Unidos, a Arábia Saudita, um dos principais produtores de petróleo do mundo, adota uma política de aumentar a produção de petróleo, alegando necessidade em recuperar sua parcela de exportador no mercado global.​

Ao tomar tal atitude, a Arábia Saudita abre mão de seu papel de regulador fiscal do preço do petróleo mundial e tal atitude de aumento de produção é seguida por outros países da OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo – e, consequentemente, diminui os preços vertiginosamente.​

Com a diminuição do preço do barril de petróleo, a Arábia Saudita acreditava que a produção do Estados Unidos iria decrescer, já que, teoricamente, a produção dos americanos tinha um custo maior devido as técnicas de fraturamento utilizadas.​

O que pode ser constatado, no entanto, foi a persistência da produção abundante e rápida dos americanos, espantando as previsões realizadas pelos árabes.​

E, a partir desse cenário de viradas de mesa, enganos e mudanças de estratégia, instaurou-se uma crise na indústria petrolífera, que perpetuou até o final de 2016, e criou-se dúvidas sobre o futuro desse mercado tão valioso.

 

Afinal, o Preço do Barril de Petróleo Voltará a Subir?​

Como os investimentos em novas atividades de petróleo foram menores durante os anos de 2013, 2014 e 2015, é de se esperar que a sobre oferta que existia até então no mercado de petróleo diminuirá e os preços, consequentemente, voltarão a subir.​

Estudos indicam que o cenário futuro do petróleo é otimista e existem projeções que indicam que o preço do barril irá aumentar até 2025, chegando a marcas de 100 dólares por barril.

 

O Petróleo Irá Acabar?​

Enquanto o senso comum busca formatar a ideia de que o petróleo se extinguirá, a realidade vem se mostrando diferente das previsões. A revista Super de Junho de 1993, por exemplo, estimou que as reservas petrolíferas durariam, aproximadamente, mais 70 anos, devido à exploração exacerbada desde a Segunda Revolução Industrial.​

O argumento, de fato, faz sentido; todavia, na época ainda não foram descobertas todas as reservas existentes. Além disso, reservas que antes eram consideradas inviáveis por apresentarem um gasto exorbitante de produção, passarão a ser classificadas como viáveis, visto o suposto futuro aumento do preço do petróleo.

 

E as Tentativas de Diminuição de Emissão de Gases Poluentes?​

As tentativas de diminuição do consumo de petróleo global, devido ao grande potencial poluente dessa matéria, não é mistério para ninguém. Percebe-se os esforços realizados pelos países mais desenvolvidos para diminuir o consumo per capita de petróleo.

​Acredita-se  que seja muito provável que a demanda de petróleo, por parte dos países desenvolvidos, diminua nos próximos anos, visto as diversas leis que proíbem o consumo exacerbado de combustíveis altamente poluentes. Pode-se citar estimativas de governos, como o Francês e o Alemão, de rápida substituição da frota de carros movidos a gasolina por carros alternativos.​

Percebe-se, no entanto, que países em desenvolvimento constante e acelerado, como é o caso da China e da Índia, estão aumentando o consumo de petróleo. É perceptível, também, a atitude dos Estados Unidos, indo contra a maré de diminuição do uso de petróleo.​

Logo, o que se pode constatar é que o consumo de petróleo mundial não irá sofrer uma brusca diminuição apenas pelo quesito meio ambiente e desenvolvimento verde, na conjuntura atual.

 

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Muitas vezes não paramos para observar, mas no nosso dia-a-dia, nos deparamos com diversos metais e suas ligas: desde mesas e panelas da sua casa até o prédio alto do outro quarteirão. As aplicações dos metais vão muito além disso: pontes, viadutos, ônibus espacial. Mas será que a composição do metal utilizado na confecção de uma panela é a mesma do metal que é matéria-prima na construção de um viaduto? Vamos descobrir?!

 

Os metais podem ser divididos em: ligas metálicas, metais ferrosos e metais não ferrosos.

 

​Ligas Metálicas:

Ligas metálicas são misturas formadas por 2 ou mais constituintes, sendo necessário que 1 deles seja um metal. O maior exemplo de liga no nosso cotidiano é o aço. Este é composto pelo metal ferro. Além dele, também se encontram o silício, enxofre e fósforo. As ligas metálicas são muito utilizadas em processos industriais por possuírem propriedades interessantes. O metal, por si só, não obteria o mesmo resultado.

Um grande exemplo da situação exposta acima é o fato de que o aço – uma liga metálica – possui maior resistência à tração e maior dureza do que o ferro puro. Com isso, o aço é mais indicado para a construção civil, por exemplo, para ser usado como concreto armado, estrutura de edificações, produção de panelas e caldeiras, entre outros.

Da mesma forma, existem outros diversos tipos de ligas metálicas com diferentes aplicações. Alguns exemplos são: aço inox – reduz drasticamente a taxa de corrosão devido a presença do cromo – é usado em talheres, peças de carro, etc; latão – possui uma alta flexibilidade – é usado para produzir instrumentos musicais de sopro como flautas, clarinetes, etc; magnálio – material extremamente leve – é usado como constituinte de peças de aviões e automóveis.

Metais ferrosos:

Os metais ferrosos são ligas que apresentam, principalmente, ferro e carbono na sua composição, porém ainda possuem outros elementos, como o manganês, cobre, entre outros. Para o metal ser caracterizado como ferroso, as especificações são as seguintes: ter pelo menos 90% de ferro; ter no máximo 5% de carbono; ter outros materiais com quantidade reduzida. Os metais ferrosos mais comuns são: Aço, ferro fundido e ferro laminado.

Para ser considerado aço, o material deve conter, no máximo, 1,7% de carbono. O aço apresenta uma grande aplicabilidade na engenharia estrutural. Quando utilizado nesse ramo, a composição de carbono utilizada é de até 0,29% para evitar perdas de propriedades interessantes. O carbono permite o aumento da resistência mecânica, porém, teores mais elevados reduzem a ductilidade e soldabilidade. O ferro fundido e o ferro laminado deixaram de ser empregados por conta da sua baixa capacidade de resistir à tração. No caso do ferro fundido, há ainda um problema relacionado a sua capacidade limitada de ductilidade e soldabilidade.

 

Metais não ferrosos​

Os metais não ferrosos são todos aqueles que possuem uma empregabilidade na indústria ou na engenharia, mas que não contém o elemento ferro. Dentro deles, podemos destacar os seguintes metais: Alumínio, Cobre, Chumbo.

O cobre é utilizado para fins de condução elétrica, pois apresenta uma excelente condutibilidade e maleabilidade. Dentro do grupo dos metais, possui a segunda maior condutibilidade, estando apenas atrás da prata. Por isso, o seu uso em fios é comum.​

O Alumínio, apesar de ser uma material leve, apresenta uma excelente resistência mecânica. Por conta disso, o seu uso é frequente nas indústrias, como na fabricação de latas, utensílios para a cozinha e na construção civil.

O chumbo é o tipo de metal que está perdendo espaço dentro da indústria, por conta da sua toxicidade para o homem e o meio ambiente. Porém, ainda possui sua utilização em algumas áreas, uma vez que apresenta forte resistência ao ataque ácido.

 

Mas qual é a composição e normas dos metais?

Cada liga metálica possui uma concentração química de elementos e uma microestrutura de distribuição bem definida. Esses valores são padronizados segundo as normas do SAE (Society of Automotive Engineers), do AISI (American Iron and Steel Institute) e do ASTM (American Society for Testing Materials). No Brasil, as normas foram unificadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Estas foram baseadas nas normas SAE e AISI.

Existem diversas normas para aços carbonos. Elas especificam as composições de cada um dos componentes que precisam estar contidos no aço de acordo com a aplicação que será destinada ao material. Existe uma norma, a NBRISO5832-1, que regulariza os aços que servirão para implantes em cirurgias, por exemplo. Já para os aços carbonos ligados a construção mecânica, contamos com a norma NBR NM 87. Estas normas classificam os aços por meio de um número, de quatro ou cinco dígitos. Cada dígito tem a função de indicar uma propriedade presente no aço.

Imagine-se então comprando uma liga metálica de aço inox, por exemplo. Segundo a Norma NBR NM 87, os aços inoxidáveis são ligas de ferro (Fe), carbono (C) e cromo (Cr) com um mínimo de 10,50% de Cr. Assim, para autenticar a veracidade da liga que você comprar, é possível realizar uma caracterização do metal e comprovar se o material vendido como aço inoxidável realmente tem o valor mínimo de Cromo. Essa quantidade de cromo é o principal responsável pela amenização da corrosão.

A caracterização é benéfica tanto para você na situação do cliente quanto para você como vendedor. Na posição de comprador: permite uma segurança de que o produto comprado cumpriu o que prometia. E na posição de vendedor: transmite uma segurança para o seu cliente ao dar muito mais credibilidade ao seu produto.

A estrutura do metal reflete as suas propriedades mecânicas. Assim, verificar se o produto atende as especificações fornecidas pelo vendedor, é, antes de mais nada, uma questão de segurança. Se o material a ser utilizado precisa aguentar tensões altas, por exemplo, caso sua estrutura não esteja especificada conforme as normas, este poderá não aguentar a tensão e causar um acidente.

Existem diversos equipamentos e técnicas a serem utilizados para caracterizar um metal, como FRX (Espectrômetro de Fluorescência de Raios), DRX (Difratômetro de Raios X), MEV (Microscópio de Varredura Eletrônica) MET (Microscópio Eletrônico de Transmissão), entre outros.

É importante frisar que essas técnicas são complementares. Quanto maior o número de equipamentos e técnicas utilizadas na caracterização, melhor estudado é o material, e por consequência, é possível direcionar o seu potencial para melhores aplicações.

 

Mas afinal, o que é a caracterização de metais?

A caracterização de metais consiste numa análise com padrões qualitativos ou quantitativos para identificar como o metal pode ser classificado. O aspecto qualitativo busca determinar quais são os constituintes daquele material. Já o aspecto quantitativo permite quantificar os elementos presentes no material, isto é, encontrar as concentrações de cada componente.

O estudo desses metais pode ser chamado de metalografia. Esta pode ser aplicada em dois campos de pesquisa: o quantitativo e o qualitativo.

Metalografia quantitativa: é o estudo que permite determinar:

– o tamanho médio dos grãos

– a porcentagem de cada fase presente no material

– a forma e o tipo de constituinte

– parâmetros de aspectos mais específicos como por exemplo, a recristalização e solidificação.

– detecção a quente de como se forma a superfície desses metais

– as microestruturas fundidas a partir da solidificação

Quanto às propriedades mecânicas, são realizados testes de força que permitem entender como é a resistência mecânica do material em relação aos seus componentes, a forma do metal e a sua natureza.

Metalografia qualitativa: esse campo de estudo procura entender como é a microestrutura a ser analisada para determinar quem são os seus microconstituintes. Tais componentes dependem do tratamento térmico e mecânico que foi realizado, do tipo de liga utilizada e do processo de fabricação dessa material.​

A partir dos insumos da análise qualitativa dessas ligas de metais, devemos utilizar alguns testes com equipamentos para entender melhor como podemos atuar.

 

Equipamentos para a caracterização dos metais

O MEV (Microscópio Eletrônico de Varredura):

Tal equipamento, como qualquer outro microscópio, permite tornar visível ao olho humano as camadas de um material que possui um tamanho muito reduzido. A principal vantagem do seu uso é o fato dele realizar uma varredura por elétrons, melhorando a resolução. Com isso, o problema da luz branca – comum a outros tipos de microscópios – é evitado.

 

O MET (Microscópio Eletrônico de Transmissão)

O equipamento é um microscópio com a mesma finalidade do MEV, mas com uma maneira de análise diferente. Um feixe de elétrons é emitido a partir do equipamento e entra em contato com o metal a ser analisado. Com isso, uma imagem é formada e, posteriormente, ampliada para o estudo de sua formação cristalina e da sua superfície.

 

O FRX (Espectrômetro de Fluorescência de Raios):

Esse equipamento possui um gerador de energia em formas de ondas que atinge o material a ser analisado. Após essa emissão de ondas o material emite uma resposta que varia de acordo com os elementos presentes nele. Pois, cada elemento possui uma frequência específica. Com essa emissão é possível medir a concentração de cada elemento presente no metal.

 

O DRX (Difratômetro de Raios X)

O equipamento em questão atua de maneira semelhante ao FRX com um gerador de ondas que atuam no metal a ser analisado. Após esse ataque com ondas os elementos do material respondem com a emissão de ondas com uma frequência característica para cada elemento. Com isso, é possível determinar as concentrações presentes no metal que foi analisado.

 

Alguns tipos de metais, normas e aplicações para a indústria.

A norma SAE J403 é responsável por toda a regulamentação química dos aços carbonos. Como base, utiliza as concentrações específicas de cada elemento para a sua classificação. A partir disso, possuímos diferentes graus para essa norma com a variação na quantidade de elementos encontradas. Tal norma é regulamentada de acordo com a porcentagem massa/massa dos metais, como para os seguintes elementos: Carbono, Fósforo, Manganês e Enxofre.

Grau 1006-1012. São aços de baixo teor de carbono com aplicações para áreas que não necessitam de resistência mecânica.

Grau 1015-1035. Aços de médio teor de carbono com aplicação em setores que necessitam de uma resistência mecânica intermediária.

Grau 1040-1045. Aços com teor elevado de carbono com aplicação em áreas que necessitam de alta resistência mecânica.

Norma NBR 6650 de 01/2014

Tal norma estabelece parâmetros para uso do aço-carbono em bobinas e chapas finas a quente para uso estrutural. Com a norma, os valores padrões para os componentes daquele aço resultam nas seguintes características do metalboa soldabilidade e resistência mecânica moderada.

Norma NBR 6656 de 12/2016

Tal norma estabelece parâmetros para o uso de aço-carbono em bobinas e chapas laminadas a quente de aço acalmado. São esperados aspectos desse metal, como boa condutibilidade e elevada resistência mecânica.

Norma NBR 10065 de 01/2011

A norma em questão estabelece parâmetros para o uso de elementos que auxiliam a fixação de aço inoxidável e aço resistente à corrosão.

Norma NBR 7007 de 09/2016

A regulamentação apresentada elabora padrões para o uso de aço-carbono e aço microligado para barras e perfis laminados a quente para o uso estrutural.

A partir dos fatos expostos, percebemos que os metais possuem uma grande aplicabilidade dentro das indústrias. Por isso, é de suma importância a sua caracterização para garantir a aplicabilidade correta do material, assim como a sua validade de acordo com as normas. Com isso, aumentamos a durabilidade, diminuímos os riscos em relação à segurança e contribuímos por um Brasil mais ético e responsável!

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Otimização de Processos: A Fórmula Certa Para o Sucesso de Seu Empreendimento

OTIMIZAÇÃO DE PROCESSOS: A FÓRMULA CERTA PARA O SUCESSO DE SEU EMPREENDIMENTO

Já parou para analisar os processos que ocorrem dentro de uma empresa? Para quem vive o cotidiano de qualquer empresa sabe que a preocupação com a eficiência dos processos é bem comum. Essa eficiência pode ser aumentada por meio de uma série de medidas chamada otimização de processos.

Na verdade, já pensou o que seria um processo? Processo é uma sequência de tarefas ordenadas a fim de gerar uma entrega final, seja um produto, serviço ou ideias. E não é apenas nas indústrias que se tem um processo.​

Num supermercado, por exemplo, deve haver toda uma logística desde os produtos chegarem no estabelecimento até saírem para a casa do consumidor. No local, tem um processo com o funcionário abastecendo as prateleiras com os produtos. Outro em que o caixa recebe o pagamento. E até mesmo a entrega das compras na casa do cliente.​

Porém, durante todos os processos, há gasto de diversos tipos de recursos: tempo, dinheiro e pessoas. A otimização de processos age de forma a minimizar algum desses gastos, aumentando o rendimento e resolvendo possíveis problemas no processo através dos pequenos processos internos.

Mas qual é a sua real importância?

Com a crescente concorrência no mercado, o aumento da agilidade de execução dos processos se torna essencial para que aumente o padrão de produção. Reduzir apenas um recurso, como o tempo, não é o ideal para que atinja de forma positiva os resultados. É preciso controlar cada um dos recursos por meio de uma análise rigorosa dos pequenos processos que se somam no processo maior.​

Uma vez que os processos são alinhados, torna-se mais fácil de gerenciá-los e colocá-los em prática. Para tal facilidade, alguns benefícios são garantidos: redução do custo de produção, diminuição do tempo do processo e otimização do processo. Esses benefícios são motivos para um possível aumento de produtividade, construindo um cenário próspero que, para muitos empreendedores, sempre foi de difícil acesso e taxado como utópico.​

Outro benefício da otimização de processos é assegurar o controle e domínio sobre o processo em questão, agregando mais qualidade para o entregável e minimizando os possíveis erros na cadeia de produção.

Uma indagação muito comum, proveniente de alguém que deseja otimizar os processos de sua empresa, é a seguinte: “É possível que eu faça, por conta própria, uma análise e otimização de processos do meu empreendimento?” E a resposta para esse corriqueiro questionamento é Sim!.​

Entende-se, no entanto, que a otimização de processos apresenta maiores resultados quando auxiliada por visões externas. O porquê dessa afirmativa é simples: visões externas são mais propícias à apresentar inovações e soluções para os problemas, fugindo da visão, muitas vezes viciada e engessada, dos produtores inerentes à cadeia de produção.

Vamos entender melhor como funciona a otimização de processos

Primeiramente, é essencial ter em mente que a otimização de processos pode ser feita com empresas de qualquer setor: produção, logística, transporte, downstream, embalagem e comercialização. Deixando claro que diversas empresas, independente do segmento de atuação, apresentam processos que podem ser melhorados, a fim de trazer maiores benefícios para quem produz, como também para quem consome.

Por meio de visitas de reconhecimento ao local a ser otimizado, os processos são mapeados para uma posterior identificação dos gaps. O mapeamento pode ser feito analisando indicadores primordiais para o entendimento das etapas de determinado processo, como: área responsável, tempo de duração, principal entregável e custo da etapa em questão.​

Os gaps, citados anteriormente, são os gargalos que determinada etapa enfrenta. Provavelmente muitos irão se perguntar: “Mas o que são gargalos?”. Gargalos são problemáticas, provenientes de inúmeros motivos, que dificultam e atrasam o andamento de um determinado processo. O termo gargalo, para tal situação, é originário da analogia feita com uma garrafa pet, como algo que trava o fluxo, obstrui o resultado de uma corrente.​

Após muito estudo de causa-efeito através de ferramentas, dinâmicas e métodos que direcionam às causas raiz, as soluções são formuladas e apresentadas à empresa por meio de um relatório. Importante frisar que as soluções passam por uma árdua construção de valores (estudo de causa-efeito), sendo essa construção, possivelmente, a parte mais complicada e desgastante para a otimização de processos.​

Uma ferramenta muito utilizada nesse processo é o Bizagi, responsável por tornar mais esquemático e ilustrativo o mapeamento de uma determinada etapa. Como exemplo de dinâmica, podemos citar o Brainstorming, uma poderosíssima arma para criação de ideias. Já um conjunto de métodos facilitador para a criação de soluções é o Design Thinking.​

Ao final de todo esse estudo e formulação de soluções, torna-se palpável apontar, de maneira concisa, as principais dificuldades do processo, como modificá-lo, o custo para consertá-lo – seja o custo referente à mão de obra, tempo envolvido na modificação, capital investido – e, o mais importante, apontar o benefício maior de toda essa pesquisa. ​

Esse benefício maior é de suma importância, já que será ele o principal indicador responsável por mensurar se o objetivo do projeto de otimização, estipulado lá no começo, foi alcançado.​

Para finalizar, é necessário verificar se a mudança proposta é viável e não fantasiosa, sendo funcional e implementável. Feito isso, torna-se necessário a capacitação de todos os envolvidos no processo anterior, para que eles possam estar familiarizados com o novo modelo, colocando em prática de forma mais efetiva.​

Vale ressaltar que um acompanhamento frequente dos processos é ideal para que seu funcionamento continue nas melhores condições possíveis, além de poder verificar outras oportunidades de investimento que amplie o negócio e seu faturamento.

 

Vamos entender como isso funciona na prática

Na maioria dos casos de empresas, a implementação de uma ferramenta tecnológica é a principal mudança de otimização de um processo. Tanto na indústria como no mercado de serviços em geral, a atuação dessas ferramentas deve caminhar junto com a capacitação de quem os controla.

Antes do ano de 2005, a CADAM, empresa de mineração de caulim, utilizava um sistema que não conseguia atender todas as demandas de processos da empresa, fazendo com o que controle dos procedimentos realizados fosse dificultado. Após todo o processo de mapeamento e análise do mesmo, a otimização foi colocada em prática com uma ferramenta tecnológica.​

Com a implantação de um software foi possível automatizar alguns dos processos que o sistema antes não era capaz de aderir. Além disso, a empresa passou a ter total controle das atividades e conseguiu uma forma de mensurar indicadores. Dessa forma, os processos desenhados no software geraram maior agilidade e eficiência em todo o processo.

A mudança de um modelo de gerenciamento

A otimização, por si só, já é uma grande evolução em todo o processo da empresa. Mas sua consequência não para por aí. Outro ponto que vem como um benefício secundário e de igual importância é o conhecimento aprofundado da linha de atividades. Muitas vezes, o que acontece é que o suposto problema inicial não é a causa raiz encontrada nas análises.

Estar ciente do que acontece na sua empresa é o primeiro passo para o investimento e expansão das vendas. O aperfeiçoamento constante da gestão ou de uma ferramenta é o que aumenta o sucesso frente a competitividade do mercado.

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A IMPORTÂNCIA DA BALNEABILIDADE EM NOSSAS VIDAS

Já pensou em como as águas de uma praia são definidas como impróprias para banho? Ou se as águas de um rio estão adequadas para lazer ou à prática de esportes? Essas e outras situações são definidas por uma série de parâmetros chamados de balneabilidade.

 

Apesar de ser um termo pouco disseminado e conhecido, é extremamente importante conhecer e entender a necessidade da balneabilidade da água da praia, rios, lagos, piscinas naturais ou qualquer lugar que possibilite o banho e práticas esportivas.

A balneabilidade é, basicamente, a qualidade dessas águas.​

A má balneabilidade de um local leva ao risco desde doenças mais brandas, como virose e diarreia, até doenças como a hepatite, cólera e problemas gastrointestinais.

A maioria dessas doenças podem ser causadas por alguns tipos de bactérias que podem ter vindo de rejeitos humanos ou animais. Se não for recomendado o contato primário com a água no local, o correto é seguir a indicação e evitar problemas sérios à saúde.

A falta de saneamento básico de um local é diretamente relacionada à balneabilidade. Se um esgoto não tratado é constantemente despejado em um local, é bem provável que ele não seja um bom local para você se banhar.​

Para definir a balneabilidade de um local, várias normas e parâmetros são levados em consideração.

 

Normas e parâmetros

O Conselho Nacional do Meio Ambiente, CONAMA, através da resolução n° 274 de 2000, dita legalmente as principais condições dos parâmetros que a água deve apresentar e as classifica de acordo com a salinidade e se são próprias ou impróprias para o uso.

Tanto para água doce (piscinas naturais, rios, lagos) quanto para água salgada existem diversos parâmetros que vão desde aspectos como densidade de metais pesados, sedimentos e turbidez, até o valor de pH, que mede a acidez da água, e o de colimetria, sendo esse último o principal.

A colimetria é baseada na contagem de Escherichia coli (EC), que aponta a densidade de Coliforme Fecal (CF), ou seja, bactérias fecais, que são a causa de diversas doenças. Essas bactérias estão geralmente relacionadas às fezes de humanos e animais e à presença de matéria orgânica.

Quanto à qualidade da água de piscinas de clubes ou de uma casa, por exemplo, a Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, dita através da norma brasileira 10818 de 1989 as principais condições que essa água deve atender para ser considerada própria para o banho e realização de outras atividades.

A fiscalização das piscinas, públicas ou privadas, é realizada pela Vigilância Sanitária. É necessário que todas as imposições sejam atendidas.

Balneabilidade nas praias ​ ​

No verão, a balneabilidade sofre grande influência da quantidade de pessoas no litoral, que produzem maior quantidade de esgoto nessas áreas, estes que, despejados na água, liberam mais coliformes e podem deixar a praia imprópria.

Também é a época do ano que mais chove, o que contribui negativamente para a balneabilidade, devido a uma maior quantidade de rios e córregos sendo despejados no mar. Isso tudo é agravado pelo fato de que, no Brasil, a maioria dos municípios litorâneos não tem um bom sistema de coleta e tratamento de esgotos. Até mesmo quando eles não são despejados diretamente no mar, é provável que o córrego de despejo vá para o oceano da mesma maneira.

Provavelmente, se você já foi na praia, você já viu um pequeno fluxo de água passando pela areia e indo direto para o mar. Isso são más notícias: é bem provável que esse fluxo seja um córrego de esgoto, um indicativo de má balneabilidade.

Além dos parâmetros principais citados acima, nas praias são analisados também alguns específicos, como o teor de salinidade da água, a temperatura, a turbidez da água, a quantidade de Enterococcos e o teor de oxigênio dissolvido, que facilita a proliferação de algas, que em grandes quantidades geram mais matéria orgânica, favorecendo assim o aumento do número de bactérias.  quanta relação, não é mesmo?

Nesse mesmo raciocínio, é analisada também a quantidade de materiais orgânicos dissolvidos na água e em partículas e quantidade de organismos, como algas, larvas e zooplâncton.

Juntamente à análise da água, é recomendado pelo CONAMA que sejam avaliadas também as condições parasitológicas e microbiológicas da areia.

 

Como são determinadas as condições das praias e balneários?

É dado pela resolução do CONAMA as seguintes recomendações para a qualidade das águas:

1) Excelente: quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo, 250 coliformes fecais (termotolerantes), 200 Escherichia coli ou 25 enterococos por 100 ml de água;​

2) Muito Boa: quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo, 500 coliformes fecais (termotolerantes), 400 Escherichia coli ou 50 enterococos por 100 ml de água;​

3) Satisfatória: quando em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas em cada uma das cinco semanas anteriores, colhidas no mesmo local, houver, no máximo 1.000 coliformes fecais (termotolerantes), 800 Escherichia coli ou 100 enterococos por 100 ml de água.

A água é dita imprópria quando ela não segue essas condições citadas acima, ou:

1) o valor obtido na última amostragem for superior a 2500 coliformes fecais (termotolerantes), 2000 Escherichia coli ou 400 enterococos por 100 ml de água;​

2) incidência elevada ou anormal, na Região, de doenças transmissíveis por via bucal, indicada pelas autoridades sanitárias;​

3) presença de resíduos ou despejos, sólidos ou líquidos, inclusive esgotos sanitários, óleos, graxas e outras substâncias, capazes de oferecer riscos à saúde ou tornar desagradável a recreação;​

4) pH < 6,0 ou pH > 9,0 (em águas doces), à exceção das condições naturais;​

5) floração de algas ou outros organismos, até que se comprove que não oferecem riscos à saúde humana;

E quem me diz se a água é própria para banho?

Seguindo as normas do CONAMA, é responsabilidade dos órgãos de controle ambiental a aplicação das análises hídricas e divulgação das condições de balneabilidade, tanto das praias quanto dos balneários de água doce. Também é responsabilidade deles a fiscalização.

Na maioria dos municípios, esses órgãos fiscalizadores são os órgãos ambientais estaduais. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Instituto Estadual do Ambiente, INEA, é quem faz esse monitoramento, emitindo boletins periódicos com o estado das praias.

Segundo a Resolução 274 de 2000 do CONAMA: “Na ausência ou omissão do órgão de controle ambiental, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA atuará, diretamente, em caráter supletivo.” É obrigatório que os órgãos fiscalizadores mantenham o IBAMA atualizado sobre as condições hídricas dos municípios.

 

E como saber todas essas informações sobre meu produto?

Os balneários de água doce, como definidos pelo CONAMA, são os rios, lagos, cachoeiras, piscinas naturais, açudes, dentre outros. Se aplicam para eles os mesmos parâmetros já citados para as praias, exceto a quantidade de Enterococcos.

As piscinas tem algumas regras que diferem dos balneários naturais: você pode entender mais sobre eles no nosso outro texto no blog, sobre Análises de Água de Piscina.

 

Balneabilidade e o Meio Ambiente

No brasil, 30% das praias são impróprias para banho. Isso reflete principalmente a falta de tratamento nos esgotos e efluentes, tanto os descartados nos oceanos, quanto os despejados nos rios.

Acidentes ambientais, como derramamento de óleo e extravasamento de esgoto, podem ser causa para interditamento dos balneários e praias. Por essas razões, a balneabilidade é intimamente relacionada com os cuidados ambientais de tratamento de esgoto e transporte consciente de derivados de petróleo, por exemplo.

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Conheça a Ferramenta Ideal para Alavancar suas Vendas: Boas Práticas de Fabricação

CONHEÇA A FERRAMENTA IDEAL PARA ALAVANCAR SUAS VENDAS: BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO

Imagine sua empresa funcionando de acordo com as normas vigentes, entregando mais qualidade para seu cliente e trabalhando de maneira mais eficiente. Imagine agora que você pode adquirir todas essas vantagens a partir de apenas uma ferramenta. Seria perfeito, não?

Saiba que a resposta certa para solucionar todas essas questões se chama Boas Práticas de Fabricação!

Entenda o objetivo dessa ferramenta!

As Boas Práticas de Fabricação são a fórmula perfeita para elevar seu negócio alimentício a outro patamar. É a partir dessa ferramenta que você garantirá mais segurança aos seus clientes, seja para com a matéria-prima utilizada, seja para com o produto final. Tal segurança está intrinsecamente relacionada com a questão de contaminação cruzada.

Do ponto de vista do cliente, entende-se que o mundo atual está em busca constante por melhorias, sendo impossível ignorar a saúde da população. É normal o consumidor procurar sempre pelo melhor produto, o produto que garanta uma experiência satisfatória.

No mundo da indústria alimentícia, a relação entre alimento e saúde é posta em evidência, sendo o melhor produto aquele que oferecer menos riscos de saúde para o comprador.

Vale ressaltar que tais procedimentos abrangem desde o começo da produção do alimento (recepção da matéria prima), passando pelo processamento, chegando até a parte de expedição da mercadoria (final da cadeia produtiva).

Resumindo, tal resolução visa padronizar a cadeia de produção de certa indústria alimentícia, seja ela pequena, média ou grande, a fim de garantir a qualidade em diversos aspectos.

As Boas Práticas de Fabricação também têm papel fundamental no âmbito higiênico-sanitário. É com o uso dessa ferramenta que se torna possível o combate de contaminações diversas.

Fazer frequentes análises nas instalações da indústria, a fim de garantir a limpeza do ambiente, assim como ensinar e cobrar dos funcionários determinadas atitudes higiênicas, são algumas de muitas diretrizes que devem ser tomadas.

Esteja de acordo com a lei!

As Boas Práticas de Fabricação são obrigatórias por lei para estabelecimentos que produzem ou processam qualquer tipo de alimentos, segundo órgãos responsáveis pela fiscalização de empreendimentos alimentícios (Ministério da Saúde, Anvisa).

Foi a partir da análise de todas essas motivações que a ANVISA documentou em 2004 a Resolução RDC 216, que compila as boas práticas em um formato de regulamento técnico a ser seguido pelos estabelecimentos, de maneira a definir os procedimentos a serem adotados. Essa é a norma que tem uma atenção especial com as condições higiênico-sanitárias.

A legislação de nosso país possui informações com relação às normas e procedimentos inerentes aos cuidados necessários no manuseio dos alimentos. Tais informações têm cuidado especial com questões higiênicas, sendo importante frisar que qualquer manuseio indevido de alimentos pode causar notificações e até multas para a empresa.

Os serviços devem ter um acompanhamento técnico e especializado, exigido por lei, garantindo o cumprimento de diversas determinações: desde suas instalações, passando pela capacitação dos funcionários, estocagem de matéria-prima, manuseio dos alimentos, operações especiais, até a distribuição do produto.

 

Princípios básicos dessa ferramenta!

Primeiramente, entende-se que é de suma importância descrever e pontuar de maneira minuciosa todas as etapas do processo de produção de determinado alimento e, posteriormente, alinhá-los com os propósitos estabelecidos pelas Boas Práticas de Fabricação. Manter o controle e a consistência no gerenciamento e na administração dessas técnicas.

Além disso, é necessário seguir fielmente todas as recomendações, a fim de evitar contaminações, misturas ou erros na cadeia de produção da indústria.

Assim que os resultados das implementações começarem a mostrar resultados satisfatórios, é interessante a documentação de todo o procedimento realizado, com o objetivo de padronizar e tornar uniforme as etapas da cadeia produtiva.

Feito todas as análises e implementações pertinentes, torna-se relevante a verificação e acompanhamento do processo para se ter ciência de que todas as normas estão sendo seguidas pelos funcionários.

Igualmente importante é promover a manutenção periódica dos equipamentos remanescentes e a aquisição de equipamentos mais modernos e eficientes sempre que possível, para garantir a integridade dos funcionários e a qualidade dos alimentos.

Para exercer tais funções, torna-se extremamente recomendável contratar uma empresa que tenha experiência no ramo para auxiliar na tomada de decisões.

Essa recomendação é dada visto que a orientação de profissionais capacitados implica em mapeamentos e implementações muito mais consistentes na cadeia de produção, estreitando as práticas da empresa contratante a questões concisas de segurança e saúde.

 

Doenças e contaminações de alimentos que podem ser evitadas com o uso das BPF!

As doenças provenientes do consumo de alimentos podem ter diversos protagonistas: microorganismos e produtos químicos são os mais comuns dentre eles.

Os produtos químicos têm sido grandes vilões dos consumidores, já que o uso de agrotóxicos e pesticidas vêm aumentando gradativamente e muitas vezes ocorre o uso excessivo dos mesmos na cadeia produtiva.

Além do uso desenfreado de agrotóxicos e pesticidas, a contaminação proveniente de produtos químicos provém muitas vezes do excesso de resíduos desintoxicantes e detergentes utilizados na limpeza dos equipamentos. Podemos frisar também qualquer tipo de químico utilizado por parte dos funcionários, trazendo perigos à produção igualmente.

Podemos listar ainda as contaminações provenientes de sólidos, sendo os mais comuns lascas de madeira, pequenas pedras, areias, fragmentos de insetos, cabelo de funcionários e afins.

O funcionário que tem contato direto com o alimento em sua cadeia produtiva é um agente determinante para a contaminação, já que será ele que estará mais próximo do produto e o manuseando durante o preparo.

Ele deve seguir práticas simples, mas muito significativas nesses processos, como lavar as mãos antes de manusear os alimentos, manter as unhas curtas, sem esmalte e limpas e se ater ao uso de uniformes limpos.

Os sintomas mais comuns de contaminações por alimentação são: vômitos e diarréias. Alguns outros sintomas podem ser sentidos como dores abdominais, dor de cabeça, febre, alteração da visão, olhos inchados, dentre outros.

 

E o cuidado excessivo não é um exagero:

É de extrema importância que a água utilizada nos processos esteja de acordo com a portaria número 2.914 do Ministério da Saúde, que trata sobre a potabilidade da água. A água é uma grande transmissora de microorganismos e outras impurezas que são nocivas ao ser humano.

Existe ainda o risco de contaminação cruzada, como já citado, que é a propagação de microorganismos de um material contaminado para outros. Isso é extremamente preocupante, pois pode comprometer um lote inteiro de um produto e gerar grandes prejuízos.

Essas contaminações podem ser apresentadas anteriormente à obtenção dos alimentos, sendo necessário o auxílio de pesquisas direcionadas para essas situações.

O fato da contaminação dos alimentos por parte de microorganismos e produtos químicos poder ocorrer a qualquer momento ao longo da cadeia de produção de um alimento angaria ainda mais motivos para dar o devido valor às Boas Práticas de Fabricação.

 

Acontecimentos que poderiam ser evitados pelas BPF!

É muito comum acompanhar na mídia casos chocantes de contaminações em alimentos. Quem nunca se chocou com a notícia de um rato em um salgadinho, ou uma barata no refrigerante, por exemplo?

Isso pode ocorrer em qualquer lugar, inclusive em grandes empresas do ramo alimentício que possuem grande reconhecimento.

Em fevereiro de 2016, a Proteste (associação de defesa do consumidor), encontrou três pelos de rato em uma amostra de ketchup da Heinz durante testes de qualidade.

Em 2011, uma dona de casa de Santa Catarina encontrou um filhote de rato morto dentro de um pacote de salgadinhos da Elma Chips.

A H.J. Heinz Company alegou ter razões para questionar esse teste. A Pepsico, detentora da Elma Chips, negou contaminação do processo de fabricação.

Apesar dessas empresas exporem justificativas ou discordarem do que foi exposto, é inegável que esse tipo de informação abala a confiança do cliente e compromete a credibilidade da empresa.

Já foram encontrados também pregos, resíduos de plástico, pedaços de unha e outros tipos de objetos nas embalagens de alimentos. Tudo isso é proveniente de descuidos ou desatenção nas etapas de processamento de alimentos.

Quando as medidas adotadas por uma empresa para o controle de qualidade não são eficazes, empresas especializadas em orientar o cumprimento dessas práticas são necessárias para que novos métodos e, se necessário, controle químico sejam implantados seguindo as normas impostas pelo Ministério da Saúde.

Todas as análises feitas nas etapas de produção, nas matérias primas e nos produtos finais devem ser documentadas, além das inovações implementadas, para que se possa afirmar que o estabelecimento está de acordo com os requisitos para o seu funcionamento.

 

As Boas Práticas de Fabricação são preocupação de todo produtor, seja em escala industrial ou em pequena escala!

É importante ressaltar que este regulamento deve ser seguido não apenas em escala industrial, mas também em produções de menor escala. O pequeno produtor também deve estar atento a todas as etapas, desde o contato com o fornecedor de suprimentos e ao seu armazenamento até a exposição à venda com rótulos e validade do produto.

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Downstream: A Etapa Desconhecida do Mercado de Combustível

DOWNSTREAM: A ETAPA DESCONHECIDA DO MERCADO DE COMBUSTÍVEL

Já parou para pensar em como os combustíveis e derivados do petróleo chegam naquele posto perto da sua casa? Agora você vai entender como funciona esse transporte (downstream) e quais são os desafios encontrados durante esse percurso!

 

Como muito já se sabe, a indústria petrolífera brasileira vem passando por um momento de transformação. Com a posição de quinto maior mercado de combustível do mundo, o Brasil tem a Petrobras como maior fornecedora durante seus 60 anos de existência. Com a descoberta do pré-sal, a atenção mundial se voltou para o Brasil e o mercado de petróleo brasileiro, gerando novos investimentos na área, exportações e leis específicas.

Infelizmente, nos últimos dois anos, com a crise da Petrobras, houve redução dos investimentos no setor, levando ao aumento do preço dos combustíveis e estagnação do mercado de petróleo brasileiro. Nesse momento de dificuldade econômica no Brasil, o Ministério de Minas e Energia propôs, em fevereiro de 2017, o programa Combustível Brasil a fim de repensar o setor de refino e distribuição de combustível.

Esse programa abrange pontos como a mudança no cenário de transporte e distribuição de combustíveis (setor de downstream), fomento a novos investimentos no setor de upstream, principalmente de refino, mudança nas regras de acesso e construção das infraestruturas portuárias.Tudo isso visando também o estímulo à competitividade e livre concorrência nos setores.

 

Upstream e downstream

Usamos esses termos estranhos, como upstream e downstream. Mas e aí, você sabe o que é isso?

Upstream é a área da indústria petrolífera que envolve a identificação, localização e exploração dos poços de petróleo, além do seu transporte até as refinarias. São nessas refinarias que serão produzidos os derivados à partir do refino: gasolina, diesel, óleos, querosene, e outros. Essa parte da produção, o refino, é chamado de midstream.

Já o downstream envolve toda a logística de distribuição e transporte desses derivados por todo o país. Por muito tempo a área de downstream no Brasil manteve-se com investimentos baixos, até a descoberta do pré-sal, que mudou esse cenário.

Mas aí você já sabe: com a crise da Petrobras, os investimentos voltaram a ser reduzidos e o setor de downstream voltou a conviver com as dificuldades que sempre conviveu.

 

Mas você sabe como ocorre esse transporte no Brasil? ​ ​

Apesar do modal rodoviário ser responsável por cerca de 67% do total de volume de carga transportado no Brasil, essa proporção não é seguida no setor de petróleo e gás.

Os meios mais utilizados são ferrovias, transporte por dutos ou por navios gigantescos, os petroleiros, que podem chegar a até 500 metros de comprimento (tão grande que chegam a usar bicicletas para atravessá-los – academia para quem, não é mesmo?).

Esses dutos e os petroleiros são os chamados transportes aquaviários, meios predominantes no Brasil e em todo o mundo. O que faz sentido, considerando que 85% da produção nacional de petróleo é extraída do mar.

Tanto o petróleo antes de ir para o refino quanto os derivados que saem refinados são levados a seus destinos predominantemente por esses transportes, dada a facilidade que eles trazem e, historicamente, os investimentos que sempre receberam.

Por esses motivos, vamos conversar um pouco mais sobre esse tipo específico de transporte.

 

Dutos ​ ​

Pela maior competitividade frente a outros modais, o transporte dutoviário é considerado estratégico. Essa preferência se baseia no fato de que deve haver um transporte contínuo quando se trata de grandes volumes de fluidos, não podendo se sujeitar a incertezas meteorológicas ou engarrafamentos.

Os grandes volumes transportados e os baixos custos de manutenção do modal compensam os altos investimentos necessários para a construção e implantação de uma malha de dutos, como equipamentos, mão de obra, desapropriações e direito de acesso às terras.

Por sua vez, os dutos ainda podem possuir duas empregabilidades: transferência transporte. Enquanto os de transferência são usados para movimentação dentro de uma mesma empresa, os dutos de transporte são as conexões de pontos de oferta e a pontos de consumo. Estamos focando neste segundo tipo de duto.

 

Petroleiros ​ ​

Considerando que quase todo o petróleo a ser processado, é deslocado até as refinarias por navios, e que grande parte dos derivados refinados voltam a esses navios para serem distribuídos pelos portos nacionais e internacionais, os petroleiros são extremamente relevantes na cadeia exploratória e comercial petrolífera brasileira.

Esse transporte é feito majoritariamente pela FRONAPE, a Frota Nacional de Petroleiros, pertencente a Petrobras, sendo a maior transportadora de petróleo e derivados do hemisfério do Sul e uma das maiores do mundo (nada mal, não é mesmo?). Os navios atracam em terminais marítimos, que são pontos de carga e descarga dos produtos para serem deslocados ao destino final, e portanto, grande parte da logística do processo.

Dentro dos navios, existem diversos canos que servem para o transporte dos óleos entre os diversos tanques, para manter o equilíbrio. Eles seguem a própria força da gravidade. Os carregamentos entram e saem por dois pontos de conexão com os terminais, movidos por bombas. Um petroleiro médio é capaz de carregar 330 milhões de litros de produto.

Para evitar que acidentes ocorram, foi elaborada uma lei seguida na Europa e nos Estados Unidos que obriga os petroleiros a usarem cascos duplos. Eles oferecem maior proteção aos navios do que cascos simples e impedem o contato de vazamentos com o mar. No Brasil isso ainda não é regra.

 

Os transportes aquaviários e o meio ambiente ​ ​

Navios e dutos tão grandes como estes carregam cargas que requerem muito cuidado e, infelizmente, ambos os meios passam por várias dificuldades diárias que podem levar a perda de produto e serem prejudiciais ao meio ambiente.

Primeiro vamos falar, rapidamente, sobre como o meio ambiente é afetado pelo transporte do petróleo e derivados.

 

Muitas notícias já relataram vazamentos massivos de petróleo que prejudicaram ecossistemas inteiros: o maior deles no Brasil foi o desastre na Bahia do Rio Iguaçu, onde houve um vazamento na refinaria da Petrobras. Mais de um milhão de galões de óleo foram liberados no meio ambiente.

E isso não chega nem perto do caso do Golfo do México, um vazamento de gás que provocou uma explosão em uma plataforma petrolífera e liberou aproximadamente 206 milhões de galões de petróleo na água. O estrago feito aos ecossistemas atingidos se propaga até hoje, 7 anos depois. Foi o maior acidente ambiental envolvendo petróleo da história.

Dá para ter uma ideia do impacto que a falta de cuidado com esse produto pode causar, não é mesmo? Então vamos entender melhor alguns dos problemas causados durante esse transporte e como preveni-los.

 

Temperatura ​ ​

Alguns dos derivados de petróleo transportados, principalmente combustíveis, possuem pontos de inflamação muito baixos. A gasolina, por exemplo, pode se inflamar a 40ºC! Além disso, o aumento da temperatura nos tanques causa a expansão dos produtos, ou seja, o volume deles é aumentado e isso pode gerar vazamentos.

Por essas razões, é necessário que haja um controle rígido de temperatura dentro dos locais de armazenamento. Não apenas existe uma temperatura máxima permitida, mas também uma mínima, porque os combustíveis podem sofrer alteração em sua viscosidade e haver complicações no transporte pelos canos dentro do navio ou para fora.

Como não é recomendado armazenar os combustíveis em altas temperaturas, é necessário que hajam aquecedores na saída dos tanques e controle de temperatura das tubulações, para que o bombeamento possa ocorrer. Também é usado um respiro, ou seja, um conector que leve a uma área segura caso haja vazamentos ou liberação de gás.

Além disso, mesmo com o controle da temperatura, o combustível realiza a expansão. De fato, a expansão será menor com esse controle rígido, porém não será anulada. Por isso, é necessário que se tenha um espaçamento no interior do tanque para minimizar o risco de um derramamento por expansão.

O que torna evidente essa expansão, tanto por meio do calor quanto pela agitação das moléculas durante o transporte, é a necessidade de esperar o resfriamento antes do posto de combustível comprar o produto. Uma vez que o preço do combustível é baseado no volume, é preciso esperar um resfriamento do conteúdo transportado para que não se pague um preço maior pelo mesmo.

 

Pressão ​ ​

Assim como o controle da temperatura, também é necessário haver um controle rígido da pressão nos tanques de armazenamento. Isso tanto para a segurança quanto para evitar a perda de produto.

Essa perda pode ocorrer causada pela alta volatilidade dos combustíveis, ou seja, sua facilidade de virar gás devido às suas pressões de vapor (propriedade que define a facilidade de uma substância passar de líquida para gasosa), o que leva a liberação desse gás e perda do produto em volume. Tal mudança de estado físico só cessa ao alcançar o equilíbrio termodinâmico.

Como a formação de gás causa perda do combustível, o ideal seria que houvesse um controle da pressão dentro dos tanques, para evitar que ela seja muito baixa. As pressões baixas diminuem o ponto de ebulição de uma substância (ela evapora mais rápido) e sua pressão de vapor. Logo, em pressões mais baixas, há maior volatilidade dos combustíveis e maior perda deles.

Além disso, relacionado ao aumento da temperatura, a expansão de volume do produto faz com ele pressione os limites dos tanques de armazenamento e dutos, causando um aumento de pressão perigoso internamente. Por isso, é importante também que a válvula de respiro seja usada nessas situações, para liberar o gás (caso seja formado) que pressiona os tanques.

Vamos fazer uma analogia com o funcionamento de uma panela de pressão. Com o aumento da temperatura, tem-se a expansão de gás no seu interior, resultando também no aumento da pressão. Esse aumento de pressão faz com que o ponto de ebulição aumente e, finalmente, o alimento irá cozinhar sem evaporação.

O mesmo deve ser feito com o combustível: a pressão é aumentada para não ocorrer a mudança de estado físico de líquido para vapor. Porém, não se deve esquecer da válvula para limitar esse aumento.

 

Agora você sabe como o transporte de petróleo funciona! ​ ​

Agora, todas as vezes que você for abastecer o seu carro você vai saber como o combustível chegou até lá! E ainda, conseguir entender os impactos que podem ser causados quando não se tem um controle constante durante o transporte.​

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SEGURANÇA AO MAR: A CORROSÃO NA INDÚSTRIA NAVAL

Já passou pelos estaleiros do Rio de Janeiro, se deparou com aqueles navios gigantes que atracam nos nossos portos e imaginou o trabalho que dá cuidar de um colosso daqueles? Aqui você vai conseguir saber um pouco mais sobre os cuidados necessários com a segurança ao mar e o quanto a corrosão afeta os negócios na indústria naval.

 

O que é a corrosão?

A corrosão é um processo natural e espontâneo, cujo funcionamento é análogo ao das pilhas que utilizamos no nosso dia a dia. Um dos componentes da pilha, o ânodo também chamado de eletrodo negativo, é oxidado e doa elétrons para o cátodo, o eletrodo positivo. (saiba mais sobre o processo aqui). Nas pilhas essa reação é responsável por gerar a energia para mover nossos aparelhos eletrônicos até elas descarregarem completamente.

Mas o que é essa descarga?

O processo de corrosão gera mudanças na matéria, isto é, os compostos que formam as pilhas são completamente transformados em seus produtos. Tais produtos não possuem mais diferença de potencial para sustentar o funcionamento, parando de funcionar após certo tempo de uso.

Entretanto, tratando-se de ligas metálicas, principais componentes das estruturas dos navios, essa mudança pode ser identificado como oxidação – a popular ferrugem – o que deixa o metal desgastado e poroso.

Sabe-se que todos os metais que formam as ligas usadas nas estruturas dos navios são encontrados na natureza na forma de seus óxidos, isto é, na forma oxidada (corroída). Dessa forma, fica claro que, por ser um processo espontâneo, a corrosão certamente vai acontecer. O máximo que pode-se fazer é lançar mão de estratégias para mitigar seus efeitos.

Mas por quê a indústria naval está tão exposta a esse problema?

Já foi dito aqui que a corrosão é um processo espontâneo que tem bastante tendência a ocorrer. Além disso, no texto sobre corrosão em em cidades litorâneas, explica-se o que é a maresia e como ela agrava em até 40 vezes o processo de corrosão em locais de grande maritimidade.

No link mencionado acima, mostra-se que o ar nas cidades litorâneas é carregado de partículas de água com íons salinos, o que forma no meio uma ponte salina – elemento de ligação entre o cátodo e ânodo uma pilha -, contribuindo para que ocorram as reações eletroquímicas.

Unindo esses pontos: se essas reações já tendem a acontecer naturalmente e são agravadas em locais de maritimidade por causa da presença dos íons provenientes do próprio oceano, imagina o quanto isso afeta os navios que passam sua vida útil inteira praticamente na água?

Por isso, é necessário tomar grandes cuidados com os navios atracados. Prolongar ao máximo a vida útil destes, que normalmente gira entre 20 a 25 anos, é fundamental, visto que uma das principais causas de acidentes na indústria naval é o dano estrutural. Estes muitas vezes são causados pela fragilização dos navios devido a corrosão.

Mas quais são os principais fatores de corrosão na indústria naval? ​

Sabe-se que um navio no meio de sua vida útil tem alta rotatividade de proprietários, sendo comprado e vendido pelas empresas sucessivamente. Por não planejarem utilizar o navio por tempo prolongado, não há atenção devida aos cuidados frente aos processos corrosivos na estrutura do navio. Essa falta de cuidado, de estudos de falhas por corrosão e de uso de protetores anticorrosivos, permite que estrutura do navio se deteriore cada vez mais rapidamente. O casco, que está em contato direto com a água do mar o tempo inteiro, é o principal afetado.

Além dos efeitos da falta de cuidado, sabe-se que a corrosão não é um processo perfeitamente uniforme e isso faz com que uma parte da estrutura possa estar mais corroída que a outra.

Mas qual é o problema disso, a princípio? ​​

Se duas partes adjacentes da estrutura do navio estão com uma concentração de íons do metal diferente, gera-se um diferença de potencial. Tal condição gera uma espécie de pilha em que a própria liga metálica se corrói.

O mesmo efeito pode ser visto quando o navio navega em águas marítimas e fluviais (rios). As concentrações de íons são totalmente diferentes – motivo pelo qual são chamados respectivamente de água salgada e água doce. Se há diferença na concentração de eletrólitos, entre os locais de navegação, gera-se novamente uma diferença de potencial. O que faz aumentar o processo corrosivo para a indústria naval.

Um terceiro motivo é o fato de as águas poluídas terem alta concentração de agentes corrosivos como CO2, SO2 e H2S, devido à decomposição do material orgânico contido nesses poluentes. Nesse cenário, esses gases dissolvidos na água são responsáveis pela acidificação do meio, que acaba por gerar uma corrosão na estrutura das embarcações.

Por último, existe uma razão para que as estruturas feitas de metal presentes na arquitetura das cidades – como parapeitos de janelas, grades de proteção de varandas e tartarugas de lâmpadas – corroam somente até certo ponto, enquanto que, na indústria naval, esse processo só se agrava com o tempo.

​Quando a corrosão acontece nas estruturas urbanas, forma-se uma  camada de óxido (metal corroído) que protege o resto do metal do contato com o ar não deixando com que a oxirredução aconteça.

​No caso das embarcações, essa camada protetora também se forma, mas ela é rapidamente removida pelas ondas do mar ao baterem contra a superfície das mesmas, num processo chamado de corrosão-erosão, enquanto as bolhas de ar geradas pelo movimento ondulatório tem efeito similar, o que é chamado, por sua vez de corrosão-cavitação.

​Os danos da negligência​​

Olhando todos esses problemas levantados e o fato já mencionado de o principal causador de acidentes navais ser a deficiência estrutural, fica nítido que é necessário dar maior atenção ao processo de corrosão. Dessa forma, a vida a útil do navio não se torna uma questão de risco, evitando-se, portanto, que a oxidação acarrete um fracasso financeiro, algo indesejável para qualquer empresa.

​Durante o tempo de utilização de um navio, seja ele de qual porte for, é importante que o tempo em manutenção seja o menor possível. Os altos custos para reparos internos e externos, principalmente, e o tempo de restauro em cada parada no estaleiro inviabilizam uma vistoria periódica.

​Sendo uma das consequências diretas do tempo de inatividade, a queda da produtividade é outro fator importante. A retirada de uma embarcação em serviço, inevitavelmente, trará prejuízos a quem tem a posse da mesma. Imagine quantos litros de combustíveis ou contêineres transportando produtos deixam de ser entregues simplesmente por uma embarcação estar em manutenção. E o pior, há a possibilidade de uma concorrente “roubar” o seu lugar no mercado, o que pode se tornar irreversível.

​Outro ponto importante é que mesmo após a manutenção ter sido realizada e a corrosão aparentemente revertida, não se pode afirmar que o metal está como no seu estado original. O produto gerado na corrosão e o depósito deste eletrólito faz com as que as estruturas cristalinas sejam alteradas e nunca retornem ao seu estado quando na fabricação da embarcação. Logo, nenhum método de correção irá fazer com o que o metal seja recuperado 100%, somente dará a impressão visual de que o mesmo estar restaurado.

Algumas formas de se proteger ao máximo da corrosão ​

Como já explicado no início deste texto, a corrosão é um processo que vai ocorrer independente do que seja feito para contê-la. A questão então é como retardar os efeitos da mesma.

​Há diversos métodos que podem ser utilizados para a prevenção das corrosões. Não tem um mais eficiente ou mais adequado em termos gerais, depende da estratégia que a empresa quer ter e dos fatores que influenciam o processo de corrosão.

​O primeiro e o principal método, é o revestimento com tintas especiaisEstas dão ao casco dos navio uma proteção extra, pois isolam a estrutura metálica do meio corrosivo. As possíveis pinturas protetoras são:

Epóxis​

Carvão epóxi

Silicone epóxi

Eletrodeposição epóxi

Sólido de alta epóxi sobre a linha de água

Puro epóxi amime

Epóxi amino/amides

Hidrocarbono

Termoplásticos

Pulverização térmica termoplástico

100% cera sólida preventiva de ferrugem

Outras

Carvão puliuretano

Puliuretano (poliol alifático) revestimento superior

Zinco silicatos

​Outra forma de proteção contra as corrosões, é a galvanização. Nesse processo, o metal que procura-se proteger da oxidação é revestido com outro mais nobre do que ele. Isso faz com que o processo de corrosão demore mais a atingir o metal de mais fácil deterioração.

A classificação em mais nobre ou menos nobre, na referência de corrosão, depende do potencial padrão de redução do metal. Há uma tabela padronizada que indica o potencial de cada metal e assim pode-se saber quais irão corroer primeiro em comparação com outros.

​Um método alternativo seria a alise de risco. Nele é feito uma tabela com pesos e prazos para determinada etapa ou ação a ser realizada. Assim, é possível ter uma previsão do que pode ocorrer em um certo intervalo de tempo ou quando alguma falha poderá influenciar em certo processo. Isso faz com que um planejamento possa ser realizado sem discrepâncias consideráveis.

Este recurso é bastante difundido nas indústrias de engenharia química, aeroespacial e nuclear, pelo fato de estas engenharias necessitarem de muita segurança para evitar acidentes. E, recentemente, engenheiros navais estão começando a introduzir tal metodologia na área marítima.

​Vale lembrar que os métodos de prevenção são de suma importância pois em níveis extremos de corrosão somente a troca da viga ou revestimento metálico é a solução. Não há como recuperar uma porcentagem considerável para o bom funcionamento da parte num conjunto, o que acarreta mais gastos com a manutenção e, consequentemente, mais prejuízos.

​E como esse trabalho todo chega em você?

​Grande parte do nosso comércio interno e com o exterior, de eletrônicos, automóveis, exportação agrícola, é pautada na existência do modal marítimo e fluvial de comércio. Percebe-se, portanto, que o bom funcionamento da indústria naval impacta diretamente na sua vida como consumidor.

​Agora, sempre que você passar novamente pelos estaleiros do Rio de Janeiro e observar todos aquelas embarcações colossais atracadas, vai saber de toda a estrutura necessária para mantê-los funcionando da melhor forma possível.

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