futuro do petróleo

O que a Indústria Petrolífera Guarda para o seu Futuro

Prever o futuro do petróleo, um comódite de suma importância entre transações internacionais, não é uma tarefa simples. A dificuldade se dá pelas diversas variáveis que esse mercado está condicionado, além das dimensões colossais que tais variáveis são capazes de atingir.

Resumindo, o futuro do petróleo depende de um vasto estudo sobre a geopolítica mundial, interpretando relações entre países - produtores, exportadores e importadores de petróleo - como também a progressão dessas relações ao longo do tempo.

Além disso, é importante um estudo e uma interpretação perspicaz da economia mundial, entendendo a demanda das potências globais por energia fóssil e a vazão da produção de petróleo mundial (Lei da oferta e da procura).

A Oscilação do Preço do Barril de Petróleo​

Entre 2014 e 2015, a indústria petrolífera sofreu uma redução abrupta no preço do barril de petróleo. De 112 dólares em junho de 2014, o mundo vivenciou uma queda inimaginável para 47 dólares em agosto de 2015, preço que se manteve razoavelmente estável e sem precedentes de grande melhora até o final de 2016. Vale frisar que nesse meio tempo, o preço do barril chegou a custar 31 dólares em janeiro de 2016, valor pífio que já não era atingido desde 2004.

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Qual o Verdadeiro Motivo para essa Variação?​

A pergunta que paira no ar não poderia ser outra se não "O que causou essa discrepância de preços?". Existem aqueles que arriscam dizer que a queda do preço do petróleo já é uma consequência visível e inevitável da substituição da energia fóssil pela energia verde, sustentável. Pesquisas especializadas nesse âmbito mostram que tal justificativa não condiz com a realidade do mundo atual.

É imprescindível dizer que as invenções de tecnológicos, cada vez mais independentes do uso de petróleo e derivados, estão em alta e que estão ganhando espaço no mercado mundial. É possível garantir, ainda, que as fontes energéticas alternativas irão se desenvolver muito mais em paralelo com a energia fóssil, nos próximos anos.

Assegura-se, no entanto, que as energias sustentáveis não irão sobrepor a produção e o consumo de energia fóssil, em curto prazo, e estima-se que o petróleo irá permanecer com parcela de 35% de representatividade no cenário de energia primária mundial, nos próximos 50 anos.

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Estima-se, exemplificando as afirmações acima, que no ano de 2016 foram vendidos cerca de 750 mil carros movidos a eletricidade, compondo uma frota de 2 milhões de carros do mesmo tipo no planeta. Pode-se apontar, no entanto, que a frota mundial gira em torno de 1 bilhão de veículos.

Tais números podem garantir que a frota de carros elétricos, ainda que esteja crescendo, é considerada mínima comparada à frota de carros movidos a gasolina e derivados. Resumindo, no transporte, mais de 95% da geração de energia para automóveis é proveniente do petróleo e derivados atualmente.

A Interferência da Geopolítica e da Economia Mundial na Indústria Petrolífera​

Para embasar as previsões realizadas para o futuro do petróleo, é necessário o entendimento de marcadores importantes na indústria petrolífera nos últimos anos.

Começamos nossa pequena retrospectiva em 2007-2008, época de grandes problemáticas para a economia mundial. Dentre tantas adversidades financeiras, o Estados Unidos começou um forte investimento em tecnologias de fraturamento de rochas para recuperação de hidrocarbonetos, a fim de alavancar e dinamizar a produção de petróleo em território americano.

Tal produção, ministrada por empresas de pequeno e médio porte, tornou-se abundante e mais rápida, ao ponto de promover os EUA de uma situação de importador de 66% de petróleo utilizado, para um cenário otimista de importação de 30 % de petróleo utilizado.

Percebe-se uma mudança do papel do Estados Unidos no cenário petrolífero mundial, em um curto período de tempo. Além de otimizar o comércio de petróleo em terras americanas, o país mudou sua estratégia de importação de gás natural, passando a ser um exportador desse comódite.

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Plataforma P-51, Brasil

Com todo o cenário de evolução estratégica por parte do Estados Unidos, a Arábia Saudita, um dos principais produtores de petróleo do mundo, adota uma política de aumentar a produção de petróleo, alegando necessidade em recuperar sua parcela de exportador no mercado global.

Ao tomar tal atitude, a Arábia Saudita abre mão de seu papel de regulador fiscal do preço do petróleo mundial e tal atitude de aumento de produção é seguida por outros países da OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo - e, consequentemente, diminui os preços vertiginosamente.

Com a diminuição do preço do barril de petróleo, a Arábia Saudita acreditava que a produção do Estados Unidos iria decrescer, já que, teoricamente, a produção dos americanos tinha um custo maior devido as técnicas de fraturamento utilizadas.

O que pode ser constatado, no entanto, foi a persistência da produção abundante e rápida dos americanos, espantando as previsões realizadas pelos árabes.

E, a partir desse cenário de viradas de mesa, enganos e mudanças de estratégia, instaurou-se uma crise na indústria petrolífera, que perpetuou até o final de 2016, e criou-se dúvidas sobre o futuro desse mercado tão valioso.

Afinal, o Preço do Barril de Petróleo Voltará a Subir?​

Como os investimentos em novas atividades de petróleo foram menores durante os anos de 2013, 2014 e 2015, é de se esperar que a sobre oferta que existia até então no mercado de petróleo diminuirá e os preços, consequentemente, voltarão a subir.

Estudos indicam que o cenário futuro do petróleo é otimista e existem projeções que indicam que o preço do barril irá aumentar até 2025, chegando a marcas de 100 dólares por barril.

O Petróleo Irá Acabar?​

Enquanto o senso comum busca formatar a ideia de que o petróleo se extinguirá, a realidade vem se mostrando diferente das previsões. A revista Super de Junho de 1993, por exemplo, estimou que as reservas petrolíferas durariam, aproximadamente, mais 70 anos, devido à exploração exacerbada desde a Segunda Revolução Industrial.

O argumento, de fato, faz sentido; todavia, na época ainda não foram descobertas todas as reservas existentes. Além disso, reservas que antes eram consideradas inviáveis por apresentarem um gasto exorbitante de produção, passarão a ser classificadas como viáveis, visto o suposto futuro aumento do preço do petróleo.

E as Tentativas de Diminuição de Emissão de Gases Poluentes?​

As tentativas de diminuição do consumo de petróleo global, devido ao grande potencial poluente dessa matéria, não é mistério para ninguém. Percebe-se os esforços realizados pelos países mais desenvolvidos para diminuir o consumo per capita de petróleo.

Acredita-se  que seja muito provável que a demanda de petróleo, por parte dos países desenvolvidos, diminua nos próximos anos, visto as diversas leis que proíbem o consumo exacerbado de combustíveis altamente poluentes. Pode-se citar estimativas de governos, como o Francês e o Alemão, de rápida substituição da frota de carros movidos a gasolina por carros alternativos.

Percebe-se, no entanto, que países em desenvolvimento constante e acelerado, como é o caso da China e da Índia, estão aumentando o consumo de petróleo. É perceptível, também, a atitude dos Estados Unidos, indo contra a maré de diminuição do uso de petróleo.

Logo, o que se pode constatar é que o consumo de petróleo mundial não irá sofrer uma brusca diminuição apenas pelo quesito meio ambiente e desenvolvimento verde, na conjuntura atual.


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