Nova legislação redefine regras para produtos à base de cacau

Chocolates terão novas regras no Brasil: Lei sancionada muda a produção e a comercialização de produtos à base de cacau.

A nova norma fixa percentuais mínimos de cacau para diferentes produtos e obriga os rótulos a informar o teor de cacau na composição. As regras valem tanto para produtos nacionais quanto os importados comercializados no território brasileiro. O cenário amplia a pressão sobre fabricantes e pode acelerar movimentos ligados à qualidade dos ingredientes, transparência e reformulação de produtos.

O presidente Lula sancionou a lei que endurece as regras para a fabricação de chocolate. O texto altera a quantidade exigida de cacau e define porcentagens mínimas para cada variação do produto, como o chocolate ao leite e o branco.

A nova lei atualiza e torna mais rigorosos os requisitos atualmente estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na RDC nº 723/2022, que regula os aspectos sanitários de bombons, cacau em pó, cacau solúvel, chocolate, chocolate branco, manteiga de cacau e produtos afins. As mudanças afetam fabricantes, importadores e distribuidores de chocolates e derivados de cacau comercializados no Brasil.

A nova regulamentação surge em um momento de fortes debates acerca da qualidade e da composição dos chocolates comercializados no país. Recentemente, os consumidores passaram a questionar, nas redes sociais e em fóruns online, a redução do teor de cacau e o aumento do uso de gorduras vegetais e açúcares em produtos industrializados.

A expectativa é de que a nova legislação também contribua para valorizar o cacau brasileiro, estimulando a produção com maior qualidade e padronização.

Antes da nova lei: como o chocolate era definido?

Pela regulamentação de 2022, apenas duas categorias de chocolate tinham definições oficiais. Confira:

Chocolate: É obtido a partir da mistura de derivados de cacau, como massa, pasta, liquor, pó ou manteiga, com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Além disso, deve ter, no mínimo, 25% de sólidos totais de cacau.

Chocolate branco: É obtido a partir da mistura de manteiga de cacau com outros ingredientes, podendo apresentar recheio, cobertura, formato e consistência variados. Deve ser constituído de, no mínimo, 20% de sólidos totais de manteiga de cacau.

Diferente da regulamentação de 2022 (RDC nº 723/2022 da Anvisa), que previa apenas duas categorias de produto, a nova norma estabelece regras mais detalhadas e exigentes: 

Chocolate: Produto obtido a partir da mistura de massa de cacau, cacau em pó ou manteiga de cacau com outros ingredientes, contendo o mínimo de 35% de sólidos totais de cacau, dos quais ao menos 18% devem ser manteiga de cacau e 14% devem ser isentos de gordura. 

Chocolate em pó: Produto obtido pela mistura de açúcar ou edulcorante ou outros ingredientes com cacau em pó, contendo o mínimo de 32% de sólidos totais de cacau.

Chocolate ao leite: Produto composto por sólidos de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 25% de sólidos totais de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite ou seus derivados.

Chocolate branco: Produto isento de matérias corantes, composto por manteiga de cacau e outros ingredientes, contendo o mínimo de 20% de manteiga de cacau e o mínimo de 14% de sólidos totais de leite.

Você já ouviu falar em "chocolate doce"? Entenda a nova categoria

A nova legislação introduz formalmente a categoria “chocolate doce”. Para se enquadrar nesta classificação, o produto deve conter no mínimo 25% de sólidos totais de cacau, sendo exigidos ao menos 18% de manteiga de cacau e 12% de cacau isento de gordura. 

Fim do “falso” chocolate 

Produtos com teor de cacau inferior ao exigido não poderão mais trazer a palavra “chocolate” no rótulo. As marcas terão que adotar nomenclaturas alternativas, como “achocolatado”, “cobertura sabor chocolate” ou “chocolate fantasia”. A norma também proíbe o uso de imagens, cores ou elementos gráficos nas embalagens que possam induzir o consumidor a achar que está comprando chocolate puro.

Fim do mistério: teor de cacau terá destaque obrigatório nos chocolates

Uma das transformações mais visíveis para o consumidor é a obrigatoriedade da declaração do teor de cacau no painel principal da embalagem. As novas diretrizes determinam que:

Para garantir a transparência ao consumidor, todas as embalagens de chocolate, sejam de produtos fabricados no Brasil ou importados, devem exibir obrigatoriamente em sua parte frontal a frase “Contém X% de cacau”. Esse aviso precisa ter tamanho e visibilidade adequados, ocupando no mínimo 15% da área frontal da embalagem, com letras perfeitamente legíveis e cores que garantam um contraste claro com o fundo. Cabe destacar que estas exigências aplicam-se exclusivamente aos rótulos dos produtos; as regras voltadas para comerciais e peças publicitárias serão objeto de uma regulamentação posterior.

Prazo de adaptação, quando as novas regras entram em vigor?

A nova legislação entrará em vigor 360 dias após a sua publicação oficial, realizada em 11 de maio de 2026. Esse período de transição foi estabelecido para que as indústrias promovam os ajustes necessários nas fórmulas dos produtos e reformulam o design das embalagens. A fiscalização das regras ficará a cargo dos órgãos de vigilância sanitária. Fabricantes e importadores que descumprirem as novas exigências estarão sujeitos às penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor e na legislação sanitária vigente.

Sua marca está pronta para transformar a nova lei em uma oportunidade? Conte com a P&Q Engenharia Jr. para colocar a qualidade do seu chocolate em evidência.

A P&Q ajuda a sua marca a transformar a nova exigência em diferencial competitivo: além de adequar seu produto às normas legais, entregamos laudos que comprovam a qualidade do seu cacau e valorizam sua marca no mercado

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Gasolina mudou: o aumento do etanol pode impactar seu veículo?

Gasolina muda no Brasil: Novo teor de etanol acende alerta para veículos e qualidade do combustível

A transição para a gasolina com 32% de etanol anidro (gasolina E32), anunciada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho com validade inicial de 180 dias (prorrogável por igual período), fixou a nova mistura em todo o território nacional para conter a volatilidade do mercado e suavizar a alta dos combustíveis. No entanto, a elevação do índice anterior de 30% gerou forte repercussão e insegurança no setor automotivo, acendendo o alerta para frotistas, distribuidores e postos de combustíveis. Essa mudança amplia a pressão sobre toda a cadeia de abastecimento, acelerando a necessidade de análises laboratoriais e controle de qualidade rigoroso para mitigar o descontentamento de motoristas e mecânicos e assegurar a durabilidade dos motores.

Carros Não Flex e o Aumento do Etanol na Gasolina: Aditivos Funcionam?

Com as mudanças percentuais na mistura de etanol na gasolina, muitos motoristas de veículos movidos exclusivamente a gasolina buscam formas de proteger o motor. O uso de aditivos surge como uma dúvida frequente no balcão das oficinas e postos.

Aditivos ajudam, mas têm limites Embora existam aditivos de combustível no mercado que auxiliam na limpeza e preservação do sistema, eles não tornam um motor comum 100% compatível com altos teores de etanol.

Tipos de Aditivos de Combustível: Qual a Função de Cada Um?

Para manter o bom funcionamento do motor e prolongar a vida útil dos componentes, o uso de produtos específicos no tanque de combustível pode fazer grande diferença. 

Conheça os três principais tipos de aditivos e como cada um atua no veículo:

  • Estabilizadores de combustível: Indicados principalmente para veículos que ficam muito tempo parados. Evitam a deterioração do combustível guardado no tanque por longos períodos;

  • Inibidores de corrosão: Encontrados em aditivos premium, atuam criando uma película protetora sobre as superfícies metálicas do motor, reduzindo o desgaste e a ação corrosiva;

  • Aditivos limpadores: Agem na remoção de depósitos e sujeiras acumuladas em partes críticas, como válvulas, bicos injetores e na câmara de combustão.

Velas de Ignição Mais Resistentes: Qual o Impacto no Motor com a Nova Gasolina?

Embora a troca das velas de ignição não anule diretamente os impactos do aumento do teor de etanol na gasolina, a utilização de modelos mais resistentes pode otimizar a confiabilidade da ignição. Essa melhoria beneficia sobretudo veículos mais antigos, modelos importados ou automóveis que já apresentam falhas e dificuldades na hora da partida.

Hábitos Simples Que Ajudam a Reduzir o Desgaste do Motor com a Nova Gasolina

Na maioria dos veículos modernos, a mudança do teor de etanol na gasolina para 32% não exige alterações drásticas na rotina de partida. Os sistemas de injeção eletrônica conseguem compensar automaticamente essa pequena diferença na composição do combustível.

No entanto, para minimizar o desgaste dos componentes e garantir a longevidade do motor, a adoção de boas práticas no dia a dia faz toda a diferença:

Para cuidar da saúde do motor e garantir a durabilidade do seu veículo, adotar alguns hábitos simples logo após dar a partida faz toda a diferença. Ao ligar o carro, aguarde de 10 a 30 segundos antes de engatar a marcha e sair. Esse pequeno intervalo é fundamental para que o óleo lubrificante circule por todo o sistema. Nos primeiros minutos de rodagem, mantenha uma condução leve e evite acelerações bruscas até que o motor atinja a temperatura ideal de trabalho. Por fim, lembre-se de manter o uso regular do automóvel, evitando deixá-lo parado por longos períodos, o que ajuda a preservar a bateria e os componentes internos.

Sinais de Alerta no Motor com a Gasolina E32: O Que Observar e Como Agir

Com a mudança do teor de etanol anidro na gasolina para 32%, é fundamental que os motoristas fiquem atentos às respostas do veículo nas primeiras semanas ou meses de uso. Os primeiros indicativos de que o motor está sentindo a diferença no combustível costumam aparecer na rotina de uso. O sinal inicial mais comum é a dificuldade na partida, principalmente com o motor frio, acompanhada por uma marcha lenta instável ou oscilante e um aumento perceptível no consumo de combustível.

Conforme o uso se prolonga, o motorista também pode notar uma perda no desempenho geral do carro. Isso se manifesta através de acelerações mais lentas, dificuldades nas retomadas de velocidade, engasgos ao acelerar e falhas de funcionamento quando o veículo é submetido a cargas maiores. Além disso, o acendimento da luz da injeção eletrônica no painel, a presença de cheiro forte de combustível ou o aparecimento de vazamentos no sistema demandam atenção imediata.

Em veículos mais antigos, o impacto pode ser também estrutural. Nesses casos, as revisões devem incluir a verificação minuciosa de corrosão em conexões metálicas, mangueiras endurecidas ou rachadas e o acúmulo anormal de resíduos no filtro de combustível. Ao identificar qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar uma assistência técnica especializada ou um mecânico de confiança para avaliar e adequar o sistema do automóvel.

Proteja seu veículo antes que o prejuízo aconteça!

Notou algum desses sinais no seu carro ou quer garantir que o combustível da sua frota atenda aos padrões de segurança? Fale com a equipe da P&Q Engenharia Jr.

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Novas Regras de Gerenciamento de Resíduos

Novas Regras de Gerenciamento de Resíduos: O que Mudou e Como Isso Impacta sua Operação

Você já se perguntou se o manejo dos resíduos da sua empresa realmente atende às exigências legais e às boas práticas ambientais? Embora pareça apenas um detalhe operacional, o gerenciamento inadequado pode gerar riscos à saúde, ao meio ambiente — e ao seu negócio.

Nos últimos anos, as normas de gerenciamento de resíduos foram atualizadas e ampliadas, com foco em rastreabilidade, classificação correta, responsabilidade na destinação e padronização dos processos internos. As novas obrigações não tratam apenas de descarte, mas de uma visão completa: do momento em que o resíduo é gerado até sua destinação final.

Essas mudanças colocam desafios importantes para indústrias, comércios, serviços e qualquer empreendimento que gere resíduos, especialmente os classificados como perigosos. No entanto, também representam uma oportunidade de fortalecer a governança ambiental, reduzir riscos e elevar o padrão de qualidade da operação.

Neste artigo, você vai entender o que mudou, quais documentos são obrigatórios, como deve ser feita a classificação e quais ações sua empresa precisa implementar para estar em conformidade.

O que mudou no gerenciamento de resíduos

As atualizações recentes na legislação e nas práticas de gestão de resíduos reforçam a responsabilidade das empresas em todas as etapas do processo — da geração ao destino final — ampliando exigências técnicas e documentais. As principais mudanças são:

Classificação obrigatória e detalhada dos resíduos

A norma determina que todos os resíduos gerados na operação sejam classificados quanto ao tipo, periculosidade e origem. Essa classificação é fundamental para definir o tratamento adequado, o transporte permitido e o destino final legal.

Entre as principais exigências:

  •  Identificação clara do resíduo no momento da geração;
  •  Avaliação de suas características (físicas, químicas e riscos associados);
  • Registro da classificação conforme legislação.

A classificação incorreta pode levar a infrações ambientais, riscos operacionais e destinação inadequada.

PGRS obrigatório e muito mais completo

Com a atualização das normas, o PGRS tornou-se um dos principais instrumentos de conformidade. Ele precisa detalhar:

  • Quais resíduos são gerados na operação;
  • Quantidades produzidas;
  • Armazenamento temporário e acondicionamento;
  • Transporte e empresas contratadas;
  • Tratamento e disposição final;
  • Medidas de prevenção, redução e controle.

O PGRS deve ser revisado periodicamente e atualizado sempre que houver mudanças no processo produtivo ou no tipo de resíduo gerado.

Rotulagem e identificação padronizada

Assim como produtos químicos exigem rotulagem clara, os resíduos — especialmente os perigosos — também precisam de identificação padronizada.
O rótulo deve indicar:

  • Nome e classificação do resíduo;
  • Pictogramas de risco;
  • Instruções para manuseio seguro;
  • Informações para transporte.

Essa padronização evita acidentes, reduz falhas operacionais e facilita o controle interno.

Regras mais rígidas para armazenamento

As regras reforçam que resíduos só podem ser armazenados de forma segura, em áreas adequadas e segregadas. Para resíduos perigosos, o armazenamento deve prever:

  • Proteção contra derramamentos;
  • Controle de acesso;
  • Ventilação adequada;
  • Sinalização visível.

Já o transporte deve ser feito por empresas licenciadas, com veículos apropriados e documentação legal específica.

Exigência de rastreabilidade total

Um dos pontos centrais das novas normas é garantir que cada resíduo seja monitorado ao longo de todo o ciclo:

  • Geração;
  • Identificação e classificação;
  • Armazenamento;
  • Transporte;
  • Tratamento;
  • Destinação final.

A empresa geradora continua responsável até que o resíduo seja comprovadamente destinado de forma ambientalmente adequada. Documentos como manifestos de transporte e certificados de destinação tornam-se obrigatórios.

O impacto das novas regras na sua operação

A adoção das práticas corretas traz vantagens diretas:

  • Redução de riscos ambientais e ocupacionais
  • Prevenção de multas e infrações
  • Melhoria da imagem corporativa
  • Maior organização interna e eficiência operacional
  • Segurança jurídica nas atividades

Empresas que adotam o gerenciamento adequado demonstram compromisso com sustentabilidade, responsabilidade social e governança (ESG), fatores cada vez mais valorizados no mercado

Saiba como estar dentro da legislação

Para estar dentro da legislação de gerenciamento de resíduos, a empresa precisa adotar um processo completo e estruturado. Tudo começa com o mapeamento dos resíduos gerados e sua classificação correta, já que essa definição orienta como cada material deve ser armazenado, transportado e destinado. A partir disso, é elaborado o PGRS — um documento obrigatório que descreve todas as etapas do gerenciamento, estabelece procedimentos e define medidas de prevenção e redução.

O PGRS também registra as empresas licenciadas responsáveis pelo transporte e pela destinação final, além de reunir todos os documentos que comprovam o descarte correto. Ele exige monitoramento constante e treinamento da equipe, pois a lei só reconhece a conformidade quando o que está no plano realmente é cumprido no dia a dia.

É o principal instrumento para demonstrar que a empresa segue a legislação ambiental e mantém um gerenciamento de resíduos organizado, seguro e rastreável.

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Novas Regras de Rotulagem de Ovos e Lácteos

Nova Regras de Rotulagem para Ovos e Lácteos: O que Mudou e Como isso Impacta Sua Produção

Você já parou para pensar se os rótulos dos alimentos que consumimos realmente informam tudo o que precisamos saber? Apesar de parecerem completos, muitos rótulos ainda geram dúvidas — especialmente quando falamos de alimentos como ovos e produtos lácteos, tão presentes na mesa dos brasileiros. Em alguns casos, a falta de clareza pode até levar o consumidor a acreditar que está comprando algo que, na prática, não é exatamente o que parece.

Recentemente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) atualizou as normas de rotulagem para esses produtos, exigindo mudanças que vão muito além do visual da embalagem. O objetivo é garantir mais transparência, rastreabilidade e segurança alimentar, corrigindo práticas que geravam confusão — como bebidas lácteas vendidas com aparência de leite ou ovos sem qualquer identificação após a retirada da embalagem.

Essas novas exigências vêm para reforçar o compromisso com a informação correta, mas também trazem desafios para produtores, processadores e comerciantes, que precisarão rever rótulos, adquirir equipamentos e adequar processos internos.

Neste artigo, você vai entender o que mudou na rotulagem de ovos e lácteos, quais os prazos para adequação e por que essas mudanças não são apenas uma obrigação legal, mas uma oportunidade de elevar o padrão de qualidade do seu produto.

O que mudou na rotulagem de ovos

Rotulagem nutricional de ovos embalados

A rotulagem nutricional de ovos segue as diretrizes da RDC 429/20. Entre as obrigações para embalagens primárias, destacam-se:

  • Porção de referência: 50g (aproximadamente 1 unidade média);
  • Informações obrigatórias na tabela: valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, saturadas e trans, fibras alimentares e sódio;
  • Indicação do %VD (Valor Diário) com base em dieta de 2.000 kcal;
  • Tabela com fundo branco, letras pretas, formato retangular, e valores por porção e por 100g.

Atenção: Ovos in natura dificilmente ultrapassam os limites de sódio, gordura saturada ou açúcares adicionados — por isso, não costumam receber selos frontais de advertência. No entanto, produtos derivados que contenham ovos processados, como massas e sobremesas, devem seguir as regras dos selos “alto em” caso ultrapassem os limites definidos.

E quando os ovos são vendidos a granel?

Para garantir rastreabilidade e segurança, a marcação na casca deve conter:

  • Data de validade ou prazo de consumo;
  • Nome ou razão social do produtor;
  • Registro do estabelecimento no SIF ou SIE;
  • Classificação por peso e qualidade do ovo.

A tinta utilizada precisa ser atóxica e própria para contato com alimentos, evitando qualquer risco de contaminação.

O impacto da rotulagem de ovos nas suas vendas

A correta rotulagem dos ovos é mais do que uma exigência legal — é um sinal de profissionalismo. Produtos com rótulo padronizado ganham destaque, transmitindo segurança ao consumidor e demonstram comprometimento com a qualidade.

Novas regras para rotulagem de produtos lácteos

E não são apenas os ovos que passaram a ter regras mais rigorosas. O MAPA também aprovou novas exigências para a rotulagem de bebidas lácteas, compostos lácteos e leites fermentados, com prazos para entrada em vigor a partir de agosto e setembro de 2025.

O objetivo é evitar que consumidores confundam produtos como bebida láctea com leite ou composto lácteo com leite em pó

Frases de advertência obrigatórias:

  • “Este produto não é leite” — para bebidas lácteas brancas não fermentadas;
  • “Este produto não é iogurte” — para bebidas lácteas fermentadas;
  • “Composto lácteo não é leite em pó” — para compostos lácteos.

Essas frases devem estar em destaque no painel principal da embalagem.

Outras mudanças importantes para produtos lácteos

Além das advertências, outras exigências afetam tanto o marketing quanto a formulação dos produtos:

  • Leite não precisa ser ingrediente obrigatório: se não for o principal, deve-se indicar o ingrediente predominante. Ex: “Bebida láctea à base de soro de leite”;
  • Criada nova categoria: bebida láctea ultrapasteurizada, que exige refrigeração até 10 °C;
  • Aditivos limitados: amido ou gelatina não podem ultrapassar 1% da fórmula;
  • Uso de água só é permitido para reconstituição de ingredientes em pó;
  • Substituição de gordura láctea por óleo vegetal só será permitida se houver fim nutricional claro — e o rótulo deve informar: “Contém óleo vegetal”.

Saiba como estar dentro da legislação

Com o objetivo de promover transparência ao consumidor e atender às exigências da ANVISA, a rotulagem nutricional é um instrumento essencial para garantir o acesso a informações claras e padronizadas sobre os alimentos. Para isso, é fundamental compreender o tipo de produto, suas especificações e as normas vigentes aplicáveis à sua comercialização.

A rotulagem nutricional deve seguir critérios técnicos estabelecidos pela legislação, incluindo a Tabela de Informação Nutricional, alegações nutricionais permitidas, destaque de açúcares adicionados e advertências em casos específicos. Esse processo exige atenção aos detalhes e atualização constante frente às mudanças regulatórias.

Após compreender a importância da rotulagem nutricional correta, torna-se indispensável o investimento em capacitação da equipe responsável. Dessa forma, é possível garantir que todas as informações obrigatórias estejam presentes de forma adequada, evitando autuações, promovendo a conformidade legal e fortalecendo a confiança do consumidor nos produtos ofertados.

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Gasolina Mudou? Veja Como Proteger o seu Veículo

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Gasolina Mudou : Saiba Como Proteger Seu Veículo

No dia 1º de agosto de 2025, a ANP oficializou o aumento do teor de etanol anidro na gasolina de 27% para 30%. A medida, embora tenha justificativas ambientais e econômicas, levanta dúvidas sobre seus impactos na qualidade do combustível e no desempenho dos veículos.

A gasolina mudou, e com ela surgem novas preocupações. O aumento no teor de etanol pode parecer pequeno, mas traz efeitos reais: do rendimento do veículo à manutenção do motor. Essa nova formulação exige atenção e levanta dúvidas sobre o que, de fato, está sendo colocado no tanque dos automóveis da população brasileira.

AUMENTO DO ETANOL NA GASOLINA: ENTENDA O MOTIVO

A mistura de etanol anidro à gasolina no Brasil é uma prática já consolidada e regulada pela ANP. Até recentemente, o limite era de 27%, valor considerado adequado para equilibrar desempenho, custo e impacto ambiental. Agora, com o novo teto de 30% para a gasolina tipo C, o governo justifica a medida com três pontos principais:

  • Redução da dependência do petróleo importado;
  • Estímulo à produção nacional de etanol;
  • Menor emissão de gases do efeito estufa.

De fato, os biocombustíveis possuem vantagens ambientais. Mas será que esse aumento é benéfico para todos? É aí que começam os questionamentos.

OS POSSÍVEIS IMPACTOS NEGATIVOS?

Apesar da boa intenção por trás da medida, o aumento do limite de etanol anidro na gasolina pode gerar consequências práticas que muitas vezes não recebem a devida atenção. Se, por um lado, a proposta traz ganhos ambientais e fortalece a produção nacional, por outro, pode impactar diretamente o desempenho dos veículos, a durabilidade de componentes mecânicos e até mesmo a experiência cotidiana do consumidor.

Esses efeitos costumam passar despercebidos em meio ao discurso oficial, mas têm relevância tanto para motoristas quanto para oficinas, montadoras e toda a cadeia de distribuição. Entre os principais pontos de preocupação, destacam-se:

  • Perda de rendimento: O etanol tem um poder calorífico menor que a gasolina, o que pode causar aumento no consumo por quilômetro rodado;
  • Problemas em veículos mais antigos: Carros mais antigos podem não estar preparados para essa nova proporção de etanol, sofrendo corrosões e falhas no sistema de alimentação;
  • Aumento da presença de água: O etanol é higroscópico, ou seja, absorve água do ambiente. Com mais etanol, a chance de contaminação por água também cresce;
  • Facilidade para adulteração: O novo limite pode acabar confundindo o consumidor e até ser usado como “desculpa” por postos que vendem gasolina adulterada, dificultando a identificação do problema.

Com diversos fatores novos associados a essas mudanças, como o consumidor pode se prevenir e estar ciente do que está sendo utilizado em seu veículo?

How to Start an On-Demand Fuel Delivery Business

OS POSSÍVEIS IMPACTOS NEGATIVOS

Com a nova formulação da gasolina, que pode conter até 30% de etanol anidro, é ainda mais crucial que os consumidores fiquem atentos ao abastecer. Essa mudança, embora traga benefícios ambientais e produtivos, também eleva os riscos de adulteração e a necessidade de monitorar o desempenho do veículo. Afinal, quanto maior a quantidade de etanol, maior a probabilidade de variações no consumo e possíveis problemas mecânicos em automóveis mais antigos.

Por isso, é fundamental redobrar os cuidados e adotar práticas simples que ajudem a assegurar a qualidade do combustível utilizado. Confira a seguir algumas maneiras eficazes de se proteger:

1.Abasteça em locais de confiança

Postos sérios seguem as normas da ANP e não têm nada a esconder. Sempre exija a nota fiscal.

2. Desconfie de preços muito abaixo da média

Combustível barato pode ser um indicativo de adulteração ou mistura irregular.

3. Fique atento ao comportamento do seu carro

Mudanças no consumo, dificuldades para ligar ou perda de potência são sinais evidentes de combustível de má qualidade.

4. Solicite o teste de proveta

Você tem o direito de pedir que o posto comprove a proporção correta de etanol na gasolina. Se houver recusa, procure outro local.

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A forma mais segura de evitar prejuízos e proteger seu veículo é com uma análise técnica especializada.

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Porque o Diesel S10 está substituindo o S500?

POR QUE O DIESEL S10 ESTÁ SUBSTITUINDO O S500?

Nos últimos anos, o setor de transporte e logística no Brasil passou por uma mudança importante: a substituição gradual do diesel S500 pelo diesel S10. Essa transição não aconteceu por acaso, mas é resultado de um conjunto de fatores que vão desde novas exigências ambientais até avanços tecnológicos nos motores a diesel!

Com a necessidade de reduzir emissões poluentes e aumentar a eficiência, o mercado vem priorizando combustíveis mais limpos e compatíveis com tecnologias modernas. O diesel S10, com seu teor muito mais baixo de enxofre, tornou-se o protagonista dessa mudança, atendendo tanto a regulamentações nacionais quanto a padrões internacionais de qualidade.

1. Teor de enxofre drasticamente reduzido

O diesel S10 contém apenas 10 ppm (partes por milhão) de enxofre, enquanto o S500 permite níveis de até 500 ppm. Isso representa 50 vezes menos enxofre no combustível.Essa mudança traz consequências positivas:

– Menor poluição atmosférica: redução na emissão de óxidos de enxofre (SOx), principais causadores de chuvas ácidas.
– Compatibilidade com tecnologias modernas: veículos novos já saem de fábrica com sistemas avançados de tratamento de gases, como filtros de partículas (DPF) e catalisadores SCR, que só funcionam adequadamente com baixo teor de enxofre.

  • Países da União Europeia já usam combustíveis equivalentes ao S10 desde 2009. No Brasil, a adoção começou em 2013, com foco inicial nos grandes centros urbanos.

2. Conformidade regulatória e ambiental

A mudança está diretamente ligada ao Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), que estabelece limites progressivos de emissão para motores a diesel no Brasil.

Impactos positivos:
* Menor emissão de poluentes nocivos à saúde.
* Melhora da qualidade do ar em grandes cidades.
* Contribuição para compromissos internacionais de redução de gases tóxicos e de efeito estufa.

  • Segundo estudos da CETESB, esta poluição gerada por veículos a diesel era responsável por boa parte dos problemas respiratórios em áreas metropolitanas. A transição para o S10 é uma das maiores conquistas ambientais no setor de transportes.

3. Melhor performance e durabilidade do motor

Motores movidos a diesel S10 apresentam vantagens claras em relação à manutenção e eficiência:

– Menor desgaste dos componentes internos, já que o enxofre em excesso causa corrosão.
– Menos entupimento de filtros e injetores.
– Maior eficiência energética, pois a queima do combustível é mais limpa.

  • Diesel S10 tem índice de cetano mais alto que o S500.  O cetano mede a qualidade da ignição — quanto maior, mais fácil é a partida do motor, principalmente em dias frios, além de reduzir a fumaça preta típica dos motores antigos.

4. Benefícios ambientais diretos

O uso do S10 trouxe impactos positivos não só para os motores, mas também para a saúde e o meio ambiente:

– Redução significativa de material particulado (fuligem).
– Diminuição de fumos tóxicos expelidos no escapamento.
– Qualidade do ar mais limpa em locais com grande tráfego de ônibus e caminhões.

  • A fumaça preta nos coletivos urbanos, muito comum até 2012, começou a diminuir justamente após a expansão do S10, tornando-se cada vez mais rara nas grandes cidades.

5. A transição no Brasil

A substituição do S500 pelo S10 foi gradual:

* Em 2013, tornou-se obrigatório em veículos novos.
* Após isso, foi se espalhando para postos de combustíveis em todo o país.
* Hoje, o S10 é praticamente padrão nas cidades, com o S500 restrito a áreas mais remotas.

  • Embora o S10 seja mais limpo e eficiente, sua densidade é um pouco menor que a do S500, o que faz alguns caminhoneiros notarem pequena diferença na autonomia. Ainda assim, o ganho em eficiência do motor e em durabilidade compensa essa diferença.

Como saber se a qualidade do diesel está própria para uso?

Na Peq Engenharia Jr., oferecemos um serviço completo de análise de combustíveis, com foco em diesel S10 e S500, trazendo tranquilidade, eficiência e sustentabilidade para o seu negócio:

  • Análises laboratoriais precisas: mensuramos teor de enxofre, frações voláteis, presença de contaminantes, densidade, entre outras propriedades importantes.
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Formulação de Saneantes e Boas Práticas

Formulação de Saneantes e Boas Práticas - Seus impactos e inovações: O futuro dos saneantes.

Você sabe o que realmente está por trás dos produtos de limpeza que usamos todos os dias? Muito além da fragrância agradável e do brilho imediato, os saneantes são fruto de formulações químicas complexas, inovações tecnológicas e rígidas regulamentações. Neste artigo, descubra como esses produtos são desenvolvidos, quais riscos as misturas caseiras podem causar e como a indústria tem investido em soluções sustentáveis para garantir mais segurança, eficiência e menor impacto ambiental.

 

Produtos saneantes são as substâncias químicas que têm a propriedade de interagir umas com as outras de várias formas e, quando associadas, podem somar estas propriedades e gerar produtos formulados que auxiliam nas mais diversas necessidades, como, por exemplo, os produtos de limpeza. 

Estes produtos, tecnicamente denominados Saneantes, são definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como aqueles destinados à higienização, desinfecção ou desinfestação domiciliar, em ambientes coletivos e/ou públicos, em lugares de uso comum e no tratamento da água, e têm sua regulamentação sob a responsabilidade da Gerência Geral de Saneantes (GGSAN) daquele órgão.

A formulação de saneantes envolve a combinação de diversas matérias-primas, como compostos clorados, bases, ácidos inorgânicos (por exemplo, ácido fosfórico e ácido nítrico) e agentes de neutralização. Cada componente é selecionado por suas propriedades específicas para garantir a eficácia e a segurança do produto final. 

É fundamental que a manipulação dessas substâncias siga rigorosamente as regulamentações estabelecidas pela Anvisa, conforme a Lei 6.360/1976 e a RDC 59/2010, que exigem que todos os produtos saneantes sejam notificados ou registrados antes da comercialização.

A formulação de saneantes envolve a combinação de diversas matérias-primas, como compostos clorados, bases, ácidos inorgânicos (por exemplo, ácido fosfórico e ácido nítrico) e agentes de neutralização. 

Cada componente é selecionado por suas propriedades específicas para garantir a eficácia e a segurança do produto final. 

É fundamental que a manipulação dessas substâncias siga rigorosamente as regulamentações estabelecidas pela Anvisa, conforme a Lei 6.360/1976 e a RDC 59/2010, que exigem que todos os produtos saneantes sejam notificados ou registrados antes da comercialização.

 

Inovação no setor de saneantes - Novos produtos tomando forma

O setor de saneantes, por sua vez, tem se destacado cada vez mais pela sua constante inovação. Atualmente, foi observado que o desenvolvimento de produtos a base de probióticos, tem grande potencial de desinfecção de ambientes, inclusive dentro de ambientes que há uma grande demanda por esses produtos de desinfecção de qualidade, como em ambientes hospitalares. 

A inovação da formulação dos saneantes tem utilizado da nanotecnologia para a criação de desinfetantes mais eficazes e produtos que não deixam resíduos ou que não geram degradações ambientais muito significativas. 

Desse modo, as inovações desse setor industrial extremamente importante refletem o compromisso das indústrias nacionais em se alinhar com as principais pautas tecnológicas atuais, além de procurar desenvolver produtos que tenham o mínimo de impacto ambiental possível.

No entanto, é muito comum que mesmo com a inovação dos produtos saneantes, os consumidores continuem cometendo diversos erros, como por exemplo, combinar diferentes produtos de limpeza. 

Esse ato é, além de perigoso, muito equivocado. Isso porque, as combinações entre seus componentes deve ser testada anteriormente por profissionais dentro de laboratórios para evidenciar a sua eficácia ou seus riscos, desse modo, muitas misturas podem além de ser prejudiciais, ineficientes ou até mesmo tirar a qualidade do produto. 

Por isso, é de extrema importância que as indústrias que realizam as formulações dos mais diversos saneantes estejam sempre se preocupando em deixar explícito e de fácil leitura as informações sobre os riscos e o modo de usar cada produto, incluindo as misturas que podem ou não ser feitas. 

 

Portanto, a indústria de formulação de saneantes é muito importante no território nacional. As pautas ambientais e inovadoras visadas para o futuro serão essenciais para o crescimento do mercado e a garantia de uma maior segurança ambiental e qualidade dos produtos, e também uma maior segurança dos consumidores. 

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Luvas e Boas Práticas de Fabricação

Você já parou para pensar se o uso de luvas na manipulação de alimentos realmente garante segurança? Apesar de serem vistas como símbolo de higiene e proteção, as luvas podem, na prática, representar um risco oculto à saúde do consumidor quando utilizadas de forma inadequada.

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Luvas e Boas Práticas de Fabricação

Croissants sendo produzidos
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A Verdade por trás do Uso de Luvas na Fabricação de Produtos: Aliadas ou Vilãs à Segurança dos Alimentos?

Você já parou para pensar se o uso de luvas na manipulação de alimentos realmente garante segurança? Apesar de serem vistas como símbolo de higiene e proteção, as luvas podem, na prática, representar um risco oculto à saúde do consumidor quando utilizadas de forma inadequada. Muito além de apenas vestir um par de luvas, a segurança alimentar depende de boas práticas, higienização correta das mãos e conhecimento técnico por parte dos manipuladores.

 

A utilização de luvas em processos produtivos no setor alimentício é frequentemente vista como um instrumento responsável por criar uma barreira protetora contra contaminações em produtos. Entretanto, seu uso incorreto pode se tornar um vilão durante o processo e aumentar os riscos de proliferação de bactérias e microorganismos. 

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o uso de luvas juntamente com outros equipamentos de proteção individual não substituem a lavagem frequente e correta das mãos. Porém, ao optar por sua utilização, um erro frequente é mantê-las em uso por um período prolongado sem a troca adequada. Dessa maneira, as luvas que teriam como principal função a proteção se transformam em um potencial veículo de contaminação cruzada. 

Além disso, a utilização de luvas para estabelecimentos que não seguem as condutas de Boas Práticas exigidas pela ANVISA passam a falsa sensação de segurança ao manipulador. Dessa forma, são negligenciadas condutas básicas de higiene como a lavagem das próprias mãos, ou então, a utilização do mesmo par de luvas para a realização de atividades não relacionadas a manipulação dos alimentos.

Riscos do uso indevido das luvas

As mãos constituem a principal fonte de transmissão de contaminação no setor alimentício. Devido a composição majoritária das populações de microrganismos na pele, sendo eles microorganismos residentes e a transitórios, é necessária a adequação de medidas higiênicas para a não proliferação de microrganismos indesejados no processo de fabricação de alimentos.

Os microrganismos residentes apresentam em sua constituição bactérias pertencentes à microbiota natural da pele. Já a microbiota transitória se concentra na camada mais superficial, então a utilização de luvas deterioradas com presença de furos ou rasgos permitem a maior dispersão das bactérias não fermentadoras, enterobactérias, fungos e vírus durante o processo produtivo.

A transferência desses agentes contaminantes em uma área ou produto para locais anteriormente não contaminados, é caracterizada como Contaminação Cruzada e pode ocorrer também com o uso de mãos não corretamente higienizadas e  luvas contaminadas.

Como algumas graves consequências destacam-se a intoxicação alimentar, doenças causadas por bactérias como a Salmonella e reações alérgicas em celíacos.

Quando usar luvas de proteção na manipulação de alimentos?

É recomendado o uso em situações de manipulação de alimentos prontos para consumo, atividades que envolvem contato direto com ingredientes alergênicos ou então, procedimentos que demandam certa proteção para evitar contaminação externa. Entretanto, destacam-se os cuidados exigidos pela ANVISA a serem seguidos para manuseio dos alimentos:

  • Armazenar as luvas limpas em locais limpos, em temperatura ambiente e sem umidade;
  • Antes de colocá-las higienizar as mãos;
  • Verificar se o par de luvas encontra-se em estado íntegro, sem perfurações, coloração ou odor incomum;
  • Quando houver interrupção do procedimento ou forem tocadas superfícies ou produtos não higienizados deve-se descartar as luvas.

Como orientações de tipos de luvas é possível citar alguns materiais comumente utilizados como o látex, a nitríla e o plástico. As luvas de látex podem ser usadas para manipulação de alimentos prontos para o consumo, para frutas, verduras e legumes já higienizados e alimentos que já passaram por tratamento térmico. Porém por se tratar de uma substância alergênica sua reação na pele de manipuladores ou consumidores alérgicos ao látex  pode prejudicar a higienização do processo produtivo, de forma que o uso de luvas sintéticas seja recomendado pela Anvisa. Caso seja opção de uso, as luvas de material alergênico apresentam como obrigatoriedade declarar na embalagem “alérgicos: pode conter látex natural”.

Já as luvas nitrílicas apresentam maior resistência química, durabilidade e maleabilidade em relação às luvas de látex. Logo, são empregadas na manipulação de produtos saneantes para higienização do estabelecimento, utensílio, transporte e coleta de resíduos. 

As luvas plásticas compostas de copolímero de polietileno são mais finas e pouco resistentes em comparação às luvas de látex e nitrílicas, de modo que sejam utilizadas em serviços de manuseio de utensílios.

O que afirma a ANVISA?

Em suma, é reforçado conforme a RDC n° 216/04 da ANVISA que a utilização de luvas descartáveis não substitui a adoção de higienização das mãos para evitar contaminações durante o processo produtivo. Além disso, a Organização Mundial da Saúde recomenda que mesmo com a preferência da utilização de luvas, seja imprescindível a adoção da prática dos manipuladores de alimentos em lavar as mãos antes e após o uso.

Assim, é obrigatório o segmento de lavagem das mãos conforme a realização das seguintes tarefas:

Antes de iniciar o trabalho;
Após tossir, espirrar, assoar o nariz ou levar a mão ao rosto;
Antes de manusear alimentos cozidos ou prontos para o consumo;
Antes e depois de manusear ou preparar alimentos crus;
Após manusear lixo, sobras e restos;
Após tarefas de limpeza;
Após usar o banheiro;
Antes de comer;
Após comer, beber ou fumar;
Após lidar com dinheiro;
Ao tocar em dispositivos, como celulares, tablets etc.
Quando houver qualquer interrupção da atividade de manipulação/ fabricação do alimento.

Saiba como estar dentro da legislação

Com o intuito de garantir maior segurança alimentar e padronização nos processos, a implementação de Boas Práticas de Fabricação garantem a conformidade do estabelecimento segundo as exigências da ANVISA. Para isso é recomendado compreender o tipo do estabelecimento e suas adequações conforme a legislação.

O Manual de Boas Práticas de Fabricação reúne os protocolos de prevenção à contaminação juntamente com Procedimentos Operacionais Padrões (POP´s) que visam instruir e detalhar aos colaboradores do estabelecimento ações higiênico sanitárias adequadas para serem treinadas e colocadas em prática.

 Após a compreensão da importância e da responsabilidade de um Manual estruturado, torna-se de extrema relevância a aquisição de um treinamento para os colaboradores do estabelecimento. Assim, é possível assegurar um alinhamento dos processos, facilitar a comunicação interna e reforçar a cultura da segurança alimentar da higienização correta das mãos.

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Qual o Futuro do Mercado de Petróleo?

Qual o Futuro do Mercado de Petróleo?

Prever o futuro do petróleo, uma comodity de suma importância entre transações internacionais, não é uma tarefa simples. A dificuldade se dá pelas diversas variáveis que esse mercado está condicionado, além das dimensões colossais que tais variáveis são capazes de atingir.

 

O futuro da indústria do petróleo depende de um vasto estudo sobre a geopolítica mundial, interpretando relações entre países – produtores, exportadores e importadores desse produto– como também a progressão dessas relações ao longo do tempo.

Além disso, é importante um estudo e uma interpretação perspicaz da economia mundial, entendendo a demanda das potências globais por energia fóssil e a vazão da produção de petróleo mundial (Lei da oferta e da procura).

A Pandemia no Mercado de Petróleo

A pandemia do Coronavírus, iniciada em 2020, mas que teve muitos impactos futuros, afetou todos os aspectos da sociedade mundial, e o mercado petrolífero não ficou imune às mudanças proporcionadas por ela. Uma clara exemplificação disso foi a redução significante da demanda por combustível para transporte. 

Como o mundo passava por um isolamento social, havia menos automóveis na rua, bem como um menor tráfego aéreo, o que reduzia o consumo de óleo. Além disso, algumas linhas de produção industrial de várias potências mundiais, como a China, que muitas vezes utiliza petróleo como fonte energética na produção, foram paralisadas. 

Para tentar compensar o desbalanço entre oferta e demanda, a OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo – tentou reduzir a produção do óleo bruto, mas, por falta de acordo entre as partes da organização em relação a essa diminuição, o preço do barril do petróleo despencou em 2020.

A Oscilação do Preço do Barril de Petróleo

Para analisarmos o preço do barril de petróleo, primeiro é necessário pontuar que, na atualidade, o petróleo é mais do que um produto, é um investimento. Por isso, seu valor é influenciado por recessões, guerras, descobertas e muitos outros fatores. 

Na cotação Brent, principal referência de cotação de petróleo para a Europa e Brasil, o preço do barril (que equivale a, aproximadamente, 159 litros) foi de cerca de U$ 130,00 em meados de 2008 para U$ 45,00 no fim do mesmo ano, o que mostra como a crise de 2008, nos Estados Unidos, impactou esse mercado. Exemplo similar é o de 2020, pelos motivos explicados anteriormente, quando o barril foi cotado a U$ 22,00 em março, valor que não atingia desde 2003. 

Desde então, a cotação subiu bastante e entre 2022 e 2023, o preço do barril se manteve relativamente estável, na faixa dos U$ 80,00 e U$ 110,00. Por esses altos e baixos, esse mercado se mostra volátil, mas muito adaptável, característica que tende a se manter a longo prazo.

A interferência da Geopolítica e Economia Mundial

As relações entre as potências mundiais também têm alto impacto na indústria do petróleo, porque o fluxo mundial dessa commodity depende das tensões e das parcerias que essas potências formam. A China, em especial, tem um papel fundamental no mercado petrolífero, pois é a nação que mais importa essa commodity, além de ser a segunda maior consumidora, perdendo apenas para os EUA. Por ser epicentro da pandemia, a economia chinesa sofreu uma grande recessão, fator que diminuiu muito a demanda mundial por petróleo em 2020 e 2021. Porém, a economia chinesa se recuperou além das expectativas em 2023 e aumentou as projeções do preço do barril para a cotação Brent. 

O conflito do Leste Europeu, entre Rússia e Ucrânia, também impactou o mercado do petróleo. Isso acontece porque a Rússia, segunda maior exportadora de petróleo, sofreu sanções dos EUA, o que prejudicou sua exportação e aumentou o preço do barril, porque a oferta pela commodity diminuiu. Assim, a Rússia se voltou para a China, que está em recuperação e precisa aumentar as importações, para conseguir vender o combustível. Enquanto isso, a Arábia Saudita, maior exportadora dessa commodity, está tentando reduzir a produção para balancear a oferta e a demanda mundial, a fim de alavancar o preço do barril. 

No meio desse jogo diplomático, também está o Brasil, que funciona como um fornecedor estratégico de petróleo, uma vez que possui limitações em relação à refinaria nacional e grandes reservas petrolíferas, muitas ainda inexploradas, o que resulta em um excedente exportável. Sua maior parceira comercial é a China, que importou 84 milhões de barris brasileiros entre janeiro e abril de 2023. 

 

Plataforma P-51, Brasil

O Petróleo Irá Acabar?​

Enquanto o senso comum busca formatar a ideia de que o petróleo se extinguirá, a realidade vem se mostrando diferente das previsões. A revista Super de junho de 1993, por exemplo, estimou que as reservas petrolíferas durariam, aproximadamente, mais 70 anos, devido à exploração exacerbada desde a Segunda Revolução Industrial. 

O argumento, de fato, faz sentido; todavia, na época, nem todas as reservas existentes já tinham sido descobertas, como é o caso da região da Margem Equatorial do Brasil, onde estima-se encontrar mais de 30 bilhões de barris de petróleo, segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). 

Portanto, é bem mais provável que a demanda por petróleo diminua em proporções maiores do que sua oferta, já que a busca por energias sustentáveis está aumentando. 

 

“A idade da pedra chegou ao fim, não porque faltassem pedras; a era do petróleo chegará igualmente ao fim, mas não por falta de petróleo”

Xeque Yamani, Ex-ministro do Petróleo da Arábia Saudita

 

E as Tentativas de Diminuição de Emissão de Gases Poluentes?​

A busca por energias sustentáveis, pauta que cada vez cresce mais nas conferências internacionais, de fato, é um fator que, a princípio, pode ameaçar o gigantesco mercado de petróleo. Uma boa métrica para verificar o crescimento da preocupação com o meio ambiente é a quantidade de carros elétricos nas ruas do planeta. 

Segundo um artigo da Insper, em 2022 foram vendidos aproximadamente 10 milhões de carros elétricos, contra 6,5 milhões em 2021 e 2 milhões em 2020. Em contrapartida, até 2022, a frota de eletrificados correspondia a apenas 1,7% da frota mundial: 25 milhões de eletrificados contra 1,47 bilhão no total. 

Além desse gap que ainda existe entre combustível fóssil e energias sustentáveis, é muito improvável que o petróleo e seus derivados sejam substituídos completamente por essas matrizes, já que a diversidade energética será muito importante em um planeta com uma população que pode superar os 9 bilhões no meio do século. A demanda mundial por petróleo pode atingir 110 milhões de barris até 2045, segundo previsão do Secretário-Geral da OPEP, reportada na CNN. Por isso, o petróleo ainda vai fazer grande parte da matriz energética mundial.

Portanto, o mercado petrolífero mostra-se ainda com muito potencial, tendo em vista sua adaptabilidade, sua influência na economia e na política mundial e a capacidade de fornecer energia que ainda tem. Mesmo assim, é natural que o mercado sustentável, a longo prazo, supere o mercado petrolífero, mas este não deixará de ter sua relevância. 

 

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Produção de Cerveja: Etapas, Características e a Química da Cerveja

Em uma cervejaria, o Layout de Fábrica pode maximizar a produção
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PRODUÇÃO DE CERVEJA: ETAPAS, CARACTERÍSTICAS E A QUÍMICA DA CERVEJA

Conheça na íntegra o processo de produção de cerveja em todos os seus aspectos, desde a escolha dos ingredientes e do padrão desejado até as etapas da produção.

 

Você sabe como é o processo de produção da cerveja? Ok, você talvez até saiba, mas você conhece os parâmetros necessários para fazer cada tipo específico de cerveja? Tem curiosidade a respeito da química envolvida na sua fabricação? 

Nesse texto iremos abordar todos esses assuntos que circundam a nossa querida “breja”, sanando as dúvidas mais comuns dos consumidores e dos produtores de cerveja e instruindo aqueles que já a fabricam ou que pretendem começar neste negócio. A partir disso, iremos tratar dos seguintes tópicos:

 

      • A matéria-prima para a produção de cerveja;

      • Fatores que influenciam no sabor, aroma e aparência;

      • As especificidades da água;

      • Diferentes classificações do malte;

      • As formas do lúpulo mais comuns;

      • Fermento: importância e uso;

      • As etapas da produção de cerveja;

      • A bioquímica do processo de produção;

A matéria-prima da produção de cerveja

A lei de pureza alemã (Reinheitsgebot) de 1516 determina que para fabricar cerveja os três ingredientes permitidos são água, malte e lúpulo. Na época, os alemães ainda não tinham conhecimento sobre a levedura, a qual certamente incluiríamos nessa lei se atualizássemos nos dias atuais.

Dessa forma, esses ingredientes são considerados como a “fórmula básica” da produção de cerveja e tanto a água quanto o malte e o lúpulo têm sua seleção de acordo com o resultado que se deseja, assim como existem orientações de especificações para cada um desses componentes, que veremos nos próximos tópicos ao longo do texto.

Além desses ingredientes, é possível incluir outros com o objetivo de diversificar o produto final, como a adição de ictiocola, irish moss, carragenina, polyclar, por exemplo, que é muito utilizada para clarificar a cerveja e até mesmo gelatina. A adição de açúcares ao produto também é comum, a fim de melhorar e intensificar o sabor.

Fatores que influenciam no sabor, aroma e aparência ​

Uma pergunta que pode surgir: como é possível somente quatro ingredientes serem responsáveis por quase toda a variedade de cerveja que conhecemos?

A resposta é que cada um deles possui variedades com processos de preparo e quantificação de maneiras diferentes. Assim, os fatores que comumente influenciam no resultado são o tempo e a maneira de acrescentar e processar os componentes na mistura.

Outros aspectos marcantes e característicos da cerveja são a sensação na boca, a força e a densidade, onde se relacionam diretamente com a amargura, o azedume da bebida, a intensidade do sabor e textura do líquido, que são provenientes dos tipos de ingredientes e da metodologia de processamento.

É interessante ressaltar que a qualidade dos produtos é um diferencial. Dessa forma, é fundamental prezar por alimentos de alto padrão para obter um resultado de maior qualidade e, assim, evitar substitutos mais baratos e de padrão secundário é uma escolha inteligente a se fazer quando um resultado fiel à proposta de sua cerveja é o principal desejo.

As especificidades da água

A água, por representar mais de 90% da matéria-prima constituinte da cerveja, é um fator de enorme importância. Dessa forma, a qualidade da água, assim como os demais ingredientes precisa ser de excelência. Por isso, é crucial utilizar uma fonte confiável de água para a produção de cerveja ou então fazer a correção laboratorial da água potável comum, afinal as especificidades da água podem influenciar diretamente em aspectos da cerveja, como veremos a seguir: a influência do pH e dos íons.,

Influência do pH

O parâmetro principal para a água utilizada na produção é seu pH, cuja sua escala vai de 0 a 14, onde 0 é o extremo ácido, 14 é o extremo alcalino e 7 é o valor de neutralidade. Este, deve estar entre 6,5 e 7,0, ou seja, levemente ácido, pois um pH alcalino pode acarretar na dissolução de algumas substâncias presentes no malte e nas cascas.

O pH ácido, além de evitar a degeneração do malte, contribui para maior atividade enzimática na etapa de mostura, proporcionando um rendimento maior de maltose. Além disso, é importante lembrar que apesar dessas informações, o tipo de cerveja alvo irá ditar qual o pH de fato ideal para a produção.

Determinar o pH da água pode ser feito facilmente por um medidor de pH digital, kits de medidor de pH para piscinas ou mesmo checar o relatório de qualidade da água distribuída em sua cidade ou região são opções viáveis. Então, se a água estiver alcalina, uma alternativa é utilizar um malte acidificado na etapa de mosturação.

Presença de íons

  • A água pode apresentar íons que afetam seu pH, tendo assim duas classificações: água dura e água mole. Indica-se a água dura para a produção de cervejas escuras por conter pH mais alto e concentração de íons (cálcio, magnésio, bicarbonato…) maior. Da mesma forma, a água mole se adequa melhor para a produção de cervejas pilsen, com pH mais baixo e menos íons dissolvidos. Portanto, é importante avaliar as características da água por meio de uma análise de dureza da água, que determina a quantidade de íons presentes na mesma e é um fator determinante para o resultado final.

Características do malte e sua produção

O malte é a fonte de amido da cerveja, ou seja, o ingrediente fermentável, sendo os grãos como milho, arroz, trigo, aveia, cevada, centeio e sorgo são opções populares e a cevada o mais comum. Este último grão é maltado por imersão em água através da germinação e depois da secagem. Já o sorgo vem ganhando muito espaço ultimamente para fabricação de cerveja sem glúten para pessoas alérgicas.

Através da maltagem, os grãos produzem enzimas que convertem o amido em açúcares fermentáveis. Logo em seguida, é preciso moer, descascar e dividir em pedaços os grãos sendo possível reaproveitar as cascas na etapa de brassagem, atuando como filtro natural para a lavagem, quando é feita a separação dos resíduos insolúveis dos grãos e o mosto.

Para cervejarias pequenas e cervejeiros independentes, é interessante utilizar o extrato de malte. Esse extrato é o mosto concentrado de malte moído e misturado com lúpulo e enzimas, cuja vantagem de sua utilização é pular as etapas de moagem, mosturação e separação do bagaço, economizando tempo e dinheiro.

O segredo para obter variedades de malte e de cores, sabores e densidade nas cervejas, é utilizar diferentes tempos e temperaturas no processo, apesar de haver uma quantidade fixa de 200 gramas para 1 litro de cerveja que geralmente se utiliza. Sendo assim, o malte pode ter sua classificação tanto quanto à cor quanto à quantidade no produto final, e existem dois grandes grupos: maltes base e maltes especiais.

Classificações do malte

Os maltes base possuem o maior potencial enzimático e de extrato. O Château Pilsen é um malte claro para fazer cervejas Pilsen, o Château Peated defumado é um malte pilsen que no final da maltagem é defumado. Já o Château Vienna tem um sabor mais forte e adiciona aroma de caramelo e uma cor mais dourada à cerveja. Por fim, o Château Pale Ale também adiciona cor dourada à cerveja, e geralmente se combina com Pilsen para ter um sabor mais marcante.

Os extratos de malte não possuem cor definida e podem ser em pó ou líquido. O Château Wheat Blanc (trigo claro), por exemplo, dá estabilidade à espuma da cerveja e a deixa encorpada. Por sua vez, o Château Munich Wheat (trigo escuro) deixa a cerveja mais gasosa e com um aroma semelhante ao Ale e tem um sabor mais forte, entretanto, apesar do nome, sua cor não é necessariamente escura.

Os maltes especiais contribuem com características únicas e possuem quase nenhum potencial enzimático. Assim, os principais maltes desse grupo são os caramelos (que deixam a cerveja mais doce) e os torrados (que dão um aroma de café). O Château Munich Light e Château Munich promove um dourado alaranjado e espuma estável, já o Château Melano Light e Château Melano deixam a cerveja avermelhada, estável e de sabor maltado intenso.

O Château Cara dá sabor de caramelo e aroma de toffee, possuindo cor dourada. Suas variações Blond, Ruby e Gold representam coloração âmbar claro, intermediário e escuro, respectivamente; o Château Abbey proporciona um sabor forte de pão assado, frutas e nozes, levemente amargo; o Château Chocolat dá sabor torrado de nozes e coloração castanha à cerveja e o Château Special B dá coloração de vermelho a castanho escuro.

As formas utilizáveis do lúpulo

O lúpulo (Humulus lupulus) é uma planta da família Cannabaceae, típica da Europa que se desenvolve bem com um clima frio e luz solar presente. Na produção de cerveja o lúpulo é responsável pelo sabor único e amargo da cerveja, trazendo a identidade do sabor da mesma. Além disso, ele atua como um conservante natural fazendo a retenção da espuma e auxiliando na remoção de proteínas indesejadas.

O lúpulo contém também o ácido alfa, que dá o amargor à cerveja e define o teor de amargura na bebida. A maioria das formas comercializadas do lúpulo possuem um padrão da quantidade dessa substância, facilitando assim a escolha do tipo de lúpulo para a produção.

As principais formas no mercado do lúpulo são: em flor, pellets T-90, pellets T-45, extrato e essências. Primeiramente sobre a forma em flor, é considerada 100% natural, porém não é ideal para estocagem e é a mais ineficiente para fabricação de cerveja. Já as pellets T-90 e T-45 são parecidas; ambas são lúpulos em flor que passam por um moedor e prensa, sendo melhores para armazenagem. O T-90 não possui padrão no teor de ácido alfa; já o T-45 apresenta este padrão.

Há também formas mais recentes de comercialização, que são os extratos e essências. O extrato é uma forma líquida de lúpulo sem resinas. Já as essências consistem-se em óleos do lúpulo, com seus componentes refinados, concentrados e são considerados bons pela facilidade de estocagem e por possuirem um bom prazo de validade. Sendo assim, cada vez mais, essa modalidade vem ganhando espaço no ramo cervejeiro.

A classificação do lúpulo é possível de acordo com o sabor que promovem na cerveja: amargor, aromático e dual. O amargor possui teor bem elevado de ácido alfa; Já os aromáticos possuem teor baixo desse ácido e promovem um aroma bem agradável à cerveja. O dual são lúpulos versáteis, que representam uma mistura do amargor com o aromático. Por conta disso, geralmente é indicado qual dessas duas características é a predominante.

Fermento: importância e uso

O fermento ou levedura é um micro-organismo que irá realizar o processo de fermentação da bebida. Nesse importante processo, os açúcares do mosto são consumidos para que seja produzido o álcool e o gás carbônico. Dessa forma, esse ingrediente é responsável por determinar o teor alcoólico da cerveja produzida.

Para que a fermentação tenha excelência e corresponda às expectativas, alguns fatores são considerados ideais no processo. O principal, é a temperatura, pois determina a velocidade das reações e a forma de ocorrência das mesmas. Com isso, é possível obter uma variedade de cerveja no aspecto do teor de álcool presente.

Sobre a levedura de cerveja, pode ser dividida em 2 grupos principais: de baixa fermentação (lagers) e de alta fermentação (ALE). O de baixa fermentação atua na parte inferior do fermentador e trabalha na faixa de 9ºC a 13ºC. Já o de alta fermentação age na parte superior, trabalhando na temperatura entre 18ºC e 24ºC.

Quais são as etapas da produção de cerveja?

A produção de cerveja possuem diversas etapas que vão desde a preparação dos ingredientes até a embalagem. O conceito da fabricação da bebida é a conversão da fonte de amido em mosto, um líquido açucarado que se submete à fermentação. As etapas são as seguintes: maltagem, brassagem, fervura, resfriamento, fermentação, condicionamento e embalagens.

Maltagem, Brassagem e Fervura

Na maltagem ocorre a preparação dos grãos da fonte de amido determinada (cevada, trigo, milho). Primeiro, o produtor deve pô-los de molho por 40 horas. Depois, os espalha para um repouso de 5 dias. Por fim ocorre a secagem, onde os grãos têm uma exposição gradual a altas temperaturas no forno. Ao final, os grãos chamam-se “malte”.

Na brassagem ocorre a conversão dos amidos do malte em açúcares para a fermentação. As enzimas convertem os amidos em açúcares simples, processo chamado sacarificação, cujo é o mosto, líquido açucarado que é então drenado. Antes da drenagem indica-se realizar um mashout: aumentar a temperatura até 75ºC para desativar as enzimas.

Na fervura ocorre a esterilização do mosto e a adição do lúpulo. O calor da fervura coagula as proteínas do mosto e diminui seu pHeliminando sabores indesejados. Esta dura entre 15 e 120 minutos e quanto maior o tempo da ebulição, mais amarga a cerveja será. Lúpulos de amargor permanecem em fervura no início durante uma hora, e os de aroma, no fim por 15 minutos.

No final da fervura pode-se realizar um processo para clarificar o mosto e reter compostos do aroma do lúpulo. Geralmente se faz o whirpool ou o hopback. Então, é hora do processo de resfriamento do mosto para a temperatura de fermentação (entre 20º e 26º C). Para isso, utiliza-se trocadores de calor de placas e adiciona-se oxigênio ao mosto resfriado.

Fermentação, Condicionamento e Embalagem

Depois do resfriamento e oxigenação, ocorre a fermentação do mosto. A fermentação pode ocorrer em tanques de variados tipos e deve ser feita em ambiente sem oxigênio. Os açúcares e carboidratos do malte, na presença de leveduras e/ou bactérias, irão produzir tanto álcool quanto dióxido de carbono. O tempo da fermentação deve ter seu controle de acordo com o teor alcoólico desejado.

Após a primeira fermentação é feito o condicionamento, isto é, o envelhecimento da cerveja. Dependendo do tipo, o tempo de maturação pode levar de semanas a anos. É importante mudar o recipiente da cerveja para cessar o contato com levedura morta e evitar sabores indesejados e acetaldeídos, que são prejudiciais à saúde.

Há algumas modalidades de envelhecimento, sendo elas: fermentação secundária, em garrafa, lagering e krausening. Na fermentação secundária, grande parte da levedura restante é depositada no fundo do fermentador, tendo como resultado uma cerveja mais clara. Já na fermentação em garrafa acontece a carbonatação natural, proveniente do gás carbônico resultante da fermentação que fica preso na garrafa.

No processo de lagering, matura-se a cerveja em temperaturas de congelamento durante alguns meses, dependendo do resultado desejado. A lager então, é uma cerveja mais suave e a mais comum no mercado. O processo de krausening consiste em adicionar mosto que está fermentando à cerveja já finalizada. A levedura irá fermentar a cerveja finalizada e ocorrerá carbonatação.

Por fim, se faz a embalagem da cerveja. As embalagens mais comuns são em latas de alumíniobarris e garrafas de vidro. Boa parte das cervejas passam pela etapa de filtração e ocorre clarificação, geralmente quando são embaladas em garrafas ou latas. Quando ocorre maturação em garrafa, não há filtração e a cerveja carrega restos de levedura que não foi fermentada.

A bioquímica por trás da produção de cerveja

Basicamente, há uma transformação sequencial dos carboidratos dos grãos de cereais em álcool através da atuação das leveduras. Quimicamente, isso significa degradar os polissacarídeos amilose e amilopectina em glicídios menores maltose e glicose e a então fermentação alcoólica por enzimas glicolíticas das leveduras.

Na formação do malteas sementes dos cereais sofrem germinação e as enzimas que degradam os polissacarídeos se produzem. Esses dois processos se interrompem com o aquecimento. As principais enzimas que constituem o malte são: α- e β-amilasescelulase α-glicosidase, que atuam como catalisadores, respectivamente, das reações de degradação do amido, da celulose e das ligações glicosídicas.

Na preparação do mosto, o malte em água se torna propenso à ação das enzimas hidrolíticas na amilose, amilopectina e celulose dos grãos, formando assim os glicídios simples e solúveis em água. Com a fervura, a degradação enzimática se encerra. Ao se adicionar as leveduras para fermentação, as células crescem e se multiplicam através da energia do metabolismo aeróbico dos glicídios simples, principalmente no ciclo de Krebs.

A fermentação ocorre depois do consumo de todo o oxigênio dissolvido no mosto. Ao alterar o metabolismo de aeróbico para anaeróbico, a levedura consome os piruvatos dos glicídios simples produzindo etanol e gás carbônico. O pH, a quantidade de glicídios restantes e a concentração do álcool  controlam essa etapa.

A regulagem da quantidade de espuma da cerveja ocorre durante a ação das enzimas proteolíticas na fase de maltagem. É importante que haja um grande controle, pois a atividade enzimática em excesso deixa a cerveja “choca” (com pouca espuma), e a baixa atividade deixa-a turva quando gelada. Para isso, uma alternativa é utilizar enzimas proteolíticas exógenas (isto é, provenientes de ingredientes descartados na produção de cerveja).

Malte, lúpulo... ação!

Agora que você sabe tudo sobre o processo de fabricação de cerveja, que tal conhecer mais sobre os outros aspectos que atribuem as características únicas à essa bebida tão querida no Brasil e no mundo?

Continue acessando o nosso blog e dê uma olhada nos seguintes textos:

– Cerveja: a maior invenção do homem

– O mercado da cerveja

– Concentração do mercado de cerveja no Brasil e as Microcervejarias

 

Escrito pela Gestão de 2017 e revisado por Milena Ferreira de Azevedo

 

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