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Análise de Ar Climatizado: Inspire, Respire, Não pire!

Você sabe se os ambientes coletivos que você frequenta possuem qualidade do ar desejável? Seu estabelecimento climatizado é seguro para seus frequentadores? Descubra a resposta para essas e outras perguntas aqui!

Sabe-se que a poluição pode trazer diversos danos à saúde, sobretudo a crianças e idosos. No artigo Poluição e Longevidade, de Drauzio Varella, diz-se: “Adotar medidas de combate à poluição ambiental não é reivindicação de cidadãos ecointransigentes, é questão de saúde pública que afeta a duração da vida de todos nós.” Dessa forma, a análise de ar climatizado torna-se uma peça-chave para a garantia da qualidade do ar de ambientes internos coletivos.

Observada nos dias de hoje, a Síndrome do Edifício Doente (ou SBS, do inglês “Sick Building Syndrome”) representa a relação de causa e efeito das condições ambientais averiguadas em locais fechados com pouca renovação de ar. Intensificada pela presença de poluentes como monóxido e dióxido de carbono, amônia, dióxido de enxofre e formaldeídos, que possuem diversas fontes de liberação, a SBS preocupa a comunidade científica e pede meios de sua amenização.

Algumas das fontes que liberam tais substâncias extremamente tóxicas, são: cigarros; fotocopiadoras; materiais de limpeza; materiais de construção; e até mesmo o metabolismo humano. A não-existência de manutenção destas fontes e análise constante do ar do meio contribuem para a presença de poluentes biológicos, como fungos, algas, protozoários, ácaros e bactérias, intensificando assim o efeito da SBS.

A comunidade científica determinou que um edifício ou construção é considerado “doente” quando cerca de 20% de seus ocupantes ou transeuntes apresentam sintomas associados à permanência no local. Estes podem ser irritação na pele, garganta, nariz, olhos, dor de cabeça, cansaço, falta de concentração, entre outros. Às vezes o efeito do ar do ambiente é tão expressivo que, ao deixar o local ou parar de frequentá-lo, o indivíduo apresenta imediata melhora em seus sintomas.

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A análise de ar, que num primeiro plano pode soar algo esquisito e provocar dúvidas (analisar o ar? Como assim? Como que se vai guardar o ar para levar ao laboratório???), ajuda os ambientes públicos e privados coletivos a inspirarem segurança e a serem inofensivos àqueles que por eles transitam. Neste texto, você aprenderá sobre a análise de ar sob diversas óticas e poderá entender por completo esta análise laboratorial aparentemente tão inusitada. Veja:

● Os benefícios da Análise para os ambientes privados e públicos

● As normas seguidas e seus desdobramentos

● Parâmetros verificados na Análise de Ar

● Os impactos positivos da Análise na saúde do ser humano

● Responsabilidade técnica: quem assegura a confiabilidade da Análise?

● De quanto em quanto tempo devo fazer?

● Outras análises importantes para estabelecimentos

Os benefícios da Análise para os ambientes privados e públicos

Os ambientes coletivos, sejam eles privados ou públicos, possuem a obrigatoriedade de realizar a análise de acordo com as normas vigentes, que veremos mais adiante. Além disso, para locais com capacidade de climatização acima de 60 mil BTUs, esta análise complementa o Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), que ajuda a gerenciar e manter a climatização em grandes locais.

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Alguns dos benefícios da realização dessa análise, além do atendimento a normas, são:

● Contribuição à automatização dos sistemas de ar condicionado;

● Controle de umidade e temperatura do ambiente, e, por consequência, maior conforto a quem ali transita;

● Proliferação de doenças transmitidas pelo ar minimizada;

● Maior conforto e qualidade de vida dos funcionários dos estabelecimentos;

● Economia de possíveis gastos para resolver a má qualidade do ar;

● Diminuição de faltas ao trabalho (por motivos de saúde) e aumento da produtividade do trabalhador.

Além destes citados, existem diversos benefícios que dizem respeito à saúde humana, os quais veremos mais adiante.

As Normas Seguidas e seus Desdobramentos

É curiosa a forma como a Análise de Ar fora regulamentada no Brasil. A Síndrome do Edifício Doente começava a ser observada no país e a necessidade de combatê-la teve como gota d’água, o falecimento, em 1998, do Ministro das Comunicações da época, Sérgio Motta, por ter quadro clínico agravado em função de fungos alojados nos dutos do sistema de climatização.

Hoje em dia, a norma que determina o padrão de referência de Qualidade do Ar de Interior é a Re nº 09, de 16 de janeiro de 2003. Este padrão aplica-se a ambientes climatizados, seja de uso público ou de uso coletivo. Esta resolução de 2003, que complementa a Portaria GMMS nº 3.523/98, de 28 de agosto de 1998, é capaz de orientar as medidas tomadas pelo responsável técnico que opera o sistema de climatização de determinado estabelecimento.

Parâmetros Verificados na Análise de Ar

A análise de ar, como você verá no próximo tópico, realiza testes que influenciam e muito na saúde humana e no conforto de quem vive e transita pelo ambiente analisado. Para isso, é importante, em primeira instância, determinar o número de coletas do ar (captação de amostras) para realizar os exames laboratoriais. Para garantir confiabilidade, o número de coletas deve ser proporcional ao tamanho do local em questão.

A análise laboratorial é feita sob três pilares. São eles: contaminação microbiológica, contaminação química e parâmetros físicos de conforto (P.F.C.). Cada um deles tem um impacto específico e pede correções específicas, e possuem subdivisões importantes para a garantia de um ar puro, saudável e agradável.

Para as análises se utilizam Placas de Petri que são expostas por diferentes tempos ao ar do ambiente. Para o teste de velocidade, pode-se utilizar um anemômetro. Agora, vamos entender um pouco sobre como cada um funciona e aprender algumas noções de como é a realização dos testes.

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Na Contaminação Microbiológica, ensaios são realizados para determinar a presença de poluentes biológicos, sobretudo fungos. Nestes ensaios, conta-se a quantidade de colônias presentes nas amostras e compara-se com o nível identificado no ar externo ao estabelecimento, de acordo com um número comparativo chamado Padrão de Normalidade. Algumas empresas de análise também fazem a determinação de ácaros e de bactérias.

Caso o ar interno tenha menos fungos do que o externo, pode comemorar! Significa que o ar está sendo de fato purificado pelo climatizador. Em casos onde o número de fungos é igual ou maior do que do ar externo, possíveis causas devem ser averiguadas. São elas: falha no sistema de climatização, ventilação ou ar condicionado; falha no projeto do estabelecimento; temperatura e umidade propensas à proliferação de microrganismos.

Na Contaminação Química, ensaios são realizados para verificar a presença de poluentes químicos no meio. Assim, o primeiro teste feito é o de concentração de gás carbônico. Este indicador pode revelar a capacidade de renovação do ar do sistema de climatização. O acúmulo de CO2 no ambiente, além de provocar impactos na saúde, contribui para sensação de calor e abafamento e pode ainda diluir poluentes químicos mais nocivos.

Ainda nesta categoria, faz-se o teste para identificar a concentração de aerodispersóides, isto é, a famigerada poeira (ou, também, matéria particulada) que tanto incomoda, principalmente aos alérgicos. A definição de matéria particulada é a mistura química e física de várias substâncias em suspensão.

Felizmente, este é um indicador que podemos observar visualmente, sendo de fácil correção através de limpeza adequada. Com este indicador, pode-se avaliar a eficiência de filtros (presentes em diversos aparelhos de climatização) e também o acúmulo de sujeira no ambiente e nos próprios aparelhos.

Já os Parâmetros Físicos de Conforto (P.F.C) compilam três testes: temperatura, umidade e velocidade do ar. Estes testes impactam diretamente na sensação de conforto dos ocupantes. Além disso, a umidade desregulada afeta também as vias respiratórias, fato que iremos aprofundar mais adiante.

A velocidade de ar deve estar próxima de 0,25 m/s para deixar o ambiente agradável a seus ocupantes. Portanto, os testes realizados na Análise de Ar tem funcionalidades importantíssimas e, juntos, são um meio eficiente de avaliar o ar de um meio.

Os impactos positivos da Análise na saúde do ser humano

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Como citado antes, crianças e idosos são os mais afetados por ambientes com má qualidade no ar. Isso porque a poluição afeta o desenvolvimento pulmonar de crianças e interfere na longevidade por aumentar a chance de ocorrência de algumas doenças. Outra população bastante afetada são aqueles que já possuem doenças respiratórias e cardiovasculares, e portanto manter o ar do ambiente ideal para estas pessoas é imprescindível.

Em entrevista realizada por Drauzio Varella, o otorrinolaringologista João Ferreira de Mello Jr. esclarece, acerca do ressecamento causado por ar condicionado: “Esse é outro aspecto do ar condicionado prejudicial ao nosso organismo. (...) A mudança da temperatura e da umidade relativa do ar altera a sensibilidade da mucosa nasal.” Logo, vê-se que até o ar condicionado, aparentemente inofensivo, tem efeitos sobre o corpo humano.

Para minimizar essas consequências, a Análise de Ar atua como importante meio de prevenção de doenças e correção do ar ambiente para cessar impactos negativos na saúde. Alguns aspectos do ar avaliados nesta análise referem-se diretamente à quantificação de poluentes e microrganismos. Veja:

Aspecto do Ar Analisado Impacto Positivo na Saúde Humana
Pesquisa e contagem de fungos Como identifica e quantifica a presença de fungos, que podem ser toxigênicos e patogênicos, associada à eliminação destes poluentes biológicos pode evitar doenças causadas por fungos, como a mucormicose, peniciliose, coccidioidomicose (“febre do vale”), aspergilose e sinusite fúngica e meningite fúngica.
Dióxido de carbono Ao identificar-se alta taxa de CO2 no ar, pode-se adaptar o ambiente para haver maior renovação de ar. Com isso, minimiza-se a chance de ocorrência de doenças respiratórias e cardiovasculares, principalmente em idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios. Também pode-se minimizar a incidência de asma, bronquite, dor precordial (desconforto torácico) e limitação funcional.
Temperatura, umidade, velocidade do ar Ao corrigir-se a umidade e a temperatura, as vias respiratórias filtram com mais facilidade o ar e este mantém-se na temperatura ideal para o corpo por todo o processo respiratório.
Aerodispersóides totais A quantificação de poeira no ar, associada a novos métodos de limpeza do ambiente, evita a ocorrência de crises alérgicas em pessoas com alergia a poeira e sujeira.

Responsabilidade Técnica: quem assegura a confiabilidade da Análise?

É imprescindível contratar o serviço com uma empresa de confiança e bem alocada no mercado. Isso porque algumas empresas têm vendido o serviço sem assinatura devida de responsáveis técnicos, o que além de não ser confiável perde a validação da Vigilância em Saúde do Trabalhador. Sendo assim, toda Análise de Ar deve ser assinada por responsáveis técnicos de nível superior e com habilitação na área de biologia ou química.

De quanto em quanto tempo devo fazer?

A análise do ar climatizado deve ser feita semestralmente. É sugerido, inclusive, que os resultados e as possíveis atividades de correção das pendências encontradas sejam divulgados àqueles que ocupam e transitam pelo local.

Outras Análises importantes para estabelecimentos

Além da Análise de Ar existem outras modalidades que atingem diversos tipos diferentes de estabelecimentos. Para clubes e piscinas, por exemplo, há uma análise de água específica para esses ambientes. Já para analisar a água de consumo, é interessante realizar uma Análise de Água convencional. Para distribuidoras e transportadoras de água, é importante realizar a Análise da Água dos Caminhões-Pipa com frequência.

Agora que você sabe diversos aspectos de Análise de Ar, que tal se aprofundar um pouco nesse assunto? Confira abaixo alguns materiais interessantes!

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