analise de combustível adulterado

Combustíveis Adulterados: como Identificar e Proceder?

No mês de julho presenciamos uma onda de casos de adulteração de combustíveis em postos do RJ e de SP. Como saber se o combustível que você está usando não está adulterado? Como proceder diante dessa situação?


No mês passado a ANP - Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - investigou a adulteração em 13 postos de combustíveis de Niterói e Maricá, no Rio de Janeiro. Já em São Paulo, na mesma época, os casos de adulteração de combustíveis com metanol dispararam.

A preocupação tomou conta de motoristas e donos de postos de combustíveis - e essa preocupação é muito pertinente. Nesse texto você saberá como agir diante de uma adulteração, os problemas que ela pode trazer para você e seu veículo e como fazer para saber se o combustível que você usa está alterado.



Adulteração: o caso Niterói - Maricá


A partir de denúncias de motoristas, concessionárias e postos de combustíveis se tornaram alvo de operações da ANP e da fiscalização de órgãos estaduais em julho. O principal problema relatado pelos motoristas era no desempenho do motor após o abastecimento, e em alguns casos os veículos nem sequer ligavam mais.

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Em reportagem para o jornal O Fluminense, o fiscal Ary Bello esclareceu: “As reclamações [...] são surpreendentes. Só no ano de 2017, a ANP fez mais de 150 ações na área de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e não tinha detectado nada de anormal, tudo dentro do padrão. Faremos os testes para garantir a qualidade aos consumidores. Tendo problemas, o posto é interditado e é aberto um processo administrativo”.


Os 13 postos fiscalizados não apresentaram irregularidades, mas as concessionárias registraram aumento de cerca de 40% no movimento das mesmas, por conta dos carros danificados. A ANP e a Operação Bomba Limpa, que reúne o Procon Estadual, a Secretaria da Fazenda e agentes da Barreira Fiscal, seguem realizando as análises nos postos e concessionárias em busca da origem dos problemas.


Adulteração: o caso São Paulo


Metanol. Esse é o nome da principal substância utilizada nas adulterações autuadas em julho em SP. O metanol é um solvente industrial muito utilizado no país, é mais barato do que a gasolina ou o etanol e isento de imposto nas alfândegas. Seu valor máximo permitido no combustível é de 0,5%.


De acordo com Roberto Jonas Saldys, chefe de fiscalização da ANP em São Paulo, em reportagem à Folha, em apenas uma semana 15 postos foram fechados por conta do produto adulterado. Em maio de 2017 foram encontrados 10,6 milhões de litros de combustível adulterado em uma distribuidora no Rio, o que mostra que esse tipo de adulteração não se restringiu apenas a SP.

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Perigos e Danos Causados por Uso de Combustível Adulterado



As primeiras peças que sofrem danificações por conta do combustível alterado são os bicos injetores e as velas de ignição. O combustível sai da bomba do veículo, vai para o bico injetor para produzir a faísca da vela, sendo essas as partes que mais trabalham com o combustível. Depois de um certo período danificando o bico e as velas, o combustível alterado pode prejudicar a sonda da lâmina e até o catalisador do veículo. Por último, mas não menos importante, o motor também fica vulnerável aos danos.


No caso da adulteração por metanol, outros danos e perigos possíveis são notados. O metanol, além de corroer o aço, é altamente tóxico e sua chama é invisível a olho nu, o que dificulta muito o controle de um incêndio causado por ele. Em 29 de maio de 2006, na Fórmula Indy, um membro da equipe de Sam Hornish Jr., piloto dos EUA, teve o corpo coberto por chamas invisíveis. O combustível vazou quando o piloto tentou sair do pit-stop com a mangueira ainda presa ao carro.


Panorama da Qualidade dos Combustíveis - ANP


Em 2010, a ANP elaborou o Panorama da Qualidade dos Combustíveis, contendo os parâmetros analisados para verificar a qualidade de combustíveis. Além dos critérios de análise, foram divulgados diversos resultados de testes realizados em postos por todo o Brasil, organizados inclusive por região.

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Foram coletadas e analisadas 207.856 amostras de combustíveis. Desse total, 85.161 foram amostras de gasolina, das quais 1,3% estavam fora de especificação. Amostras de óleo diesel totalizaram 78.209, em que foram observadas não conformidades em 3,6%. No caso do etanol, registraram-se não conformidades em 2,2% de um total de 44.486 coletadas”, informa o documento.


Parâmetros da Análise de Gasolina


  • Aspecto Visual - indica visualmente possíveis contaminações;

  • Cor - compara à tonalidade característica da gasolina;

  • Massa Específica a 20ºC - relação entre a massa de combustível e o seu volume (quanto maior a massa específica, maior o potencial energético);

  • Teor de Etanol Anidro - verifica se a gasolina analisada respeita os limites de teor máximo e mínimo do álcool;

  • Destilação - avalia a volatilidade da gasolina;

  • Infravermelho MON, RON, IAD, Teor de Benzeno e Composição - indica a concentração de compostos aromáticos, olefinas, parafinas e naftênicos (importante para o controle de emissão de compostos tóxicos);

  • Marcador de Solvente - identifica se houve adulteração por adição ilícita de solvente.



Parâmetros da Análise de Etanol


  • Aspecto Visual;

  • Cor;

  • Massa Específica a 20º C;

  • Teor Alcoólico - confere se houve adição de água ao etanol além do permitido;

  • Condutividade Elétrica - a limitação máxima de condutividade permite controlar a concentração de eletrólitos no etanol (condutividade maior do que a permitida compromete a vida útil das partes mecânicas do veículo);

  • Potencial Hidrogeniônico (pH) - um pH abaixo ou acima do especificado para o etanol pode comprometer partes do veículo;

  • Teor de Hidrocarbonetos - indica a presença de contaminantes como gasolina.


Parâmetros da Análise de Óleo Diesel


  • Aspecto Visual;

  • Cor;

  • Massa Específica a 20º C;

  • Cor ASTM - se estiver fora da especificação pode indicar degradação ou contaminação;

  • Ponto de Fulgor - relacionado à inflamabilidade do combustível (pode indicar contaminação por produtos de menor ponto de ebulição);

  • Enxofre Total - compostos de enxofre são altamente corrosivos e poluentes;

  • Destilação - identifica a contaminação por derivados mais leves ou pesados;

  • Índice de Cetano - tem a ver com a qualidade de ignição, que influencia diretamente na partida do motor;

  • Teor de Biodiesel por Infravermelho - verifica o cumprimento à legislação que determina adição de biodiesel ao diesel.



Acho que meu Combustível está Adulterado. O que fazer?


Se seu veículo está demonstrando sinais de mau funcionamento, realize uma Análise Química do combustível utilizado. Essa análise, que segue os padrões determinados pela ANP, irá avaliar todos os parâmetros citados e comprovar se houve ou não de fato a adulteração do combustível.


Caso esta seja comprovada, denuncie. É importante ter em mãos a nota fiscal do abastecimento no posto e também obter um laudo dos danos causados ao veículo. Esse laudo pode ser obtido através de um mecânico ou da concessionária. Depois disso, basta registrar a denúncia formalmente pela ANP e pelo Procon.


Em relação ao veículo, é recomendado que este tenha seu tanque esvaziado e então a gasolina trocada. Um check-up geral em todas as partes do mesmo também é bem-vindo, para que se possa reparar os danos causados. ​

combustível adulterado

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